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Depósitos do Master no BC somavam menos de 1% do exigido no dia da liquidação
Foto: Divulgação

Relatórios mostram descumprimento recorrente do compulsório e crise de liquidez que se agravou ao longo de 2025

No dia em que teve a liquidação decretada, em novembro de 2025, o Banco Master mantinha apenas R$ 22,9 milhões depositados no Banco Central, valor inferior a 1% dos R$ 2,537 bilhões exigidos pela autoridade monetária. A informação consta em documentos enviados pelo BC ao Tribunal de Contas da União (TCU) e revela o estágio avançado da deterioração financeira do conglomerado controlado por Daniel Vorcaro.

 

Segundo o BC, o descumprimento da exigência de depósitos compulsórios passou a ser recorrente a partir do fim de 2024, com déficits cada vez maiores ao longo de 2025. Em maio daquele ano, o Master chegou a solicitar dispensa temporária do recolhimento compulsório sobre depósitos à vista e a prazo, pedido que foi negado por falta de respaldo legal. O banco foi formalmente advertido de que a situação poderia levar à adoção de medidas preventivas para preservar a estabilidade do sistema financeiro, incluindo termos de comparecimento e a exigência de um plano de recomposição da liquidez.

 

A supervisão do BC sobre o Master se intensificou ainda sob a gestão de Roberto Campos Neto, após queixas de outros banqueiros sobre o modelo de negócios da instituição, fortemente dependente de captações cobertas pelo FGC e com grande exposição a ativos de baixa liquidez, como precatórios. Uma auditoria externa sobre esses ativos não apontou irregularidades, mas outras frentes de apuração, envolvendo CRIs e operações de crédito estruturadas, passaram a levantar alertas a partir de 2024, especialmente diante de transações com empresas pouco conhecidas.

 

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O aprofundamento das análises revelou suspeitas de desvios de R$ 11,5 bilhões em fundos administrados pela Reag, supostamente utilizados em operações fraudulentas atribuídas ao Banco Master. Desse total, cerca de R$ 5 bilhões estariam ligados a CRIs e R$ 6 bilhões a operações de crédito. O cruzamento de dados só foi possível graças a um convênio entre o BC e a CVM, em vigor desde 2021, que permite o compartilhamento de informações sobre cotistas de fundos, com apoio de ferramentas de inteligência artificial.

 

Apesar do monitoramento contínuo, o BC afirma que, até 2024, o diagnóstico estava restrito à insuficiência de capital e à fragilidade da liquidez. Em depoimento à Polícia Federal, em dezembro de 2025, o diretor de Fiscalização do BC, Ailton de Aquino, afirmou que a crise de liquidez era evidente e que já tramitava processo administrativo contra o banco pelo não recolhimento do compulsório. “A incapacidade de liquidez levantava alertas relevantes para a supervisão”, declarou.

 

Ao longo de 2025, o Master tentou mitigar a crise por meio de cessão de carteiras, suspensão de crédito corporativo, venda de ativos do controlador e negociações com o FGC, que chegou a conceder R$ 4,3 bilhões em assistência de liquidez, além de captações garantidas de curto prazo. Também houve tentativas de reorganização societária, incluindo a negociação frustrada de venda do banco ao BRB, rejeitada pelo BC após meses de análise.

 

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Com as alternativas de mercado esgotadas e sem recomposição estrutural da liquidez, o Banco Central concluiu que a manutenção das operações ampliaria os riscos ao sistema financeiro. Em 18 de novembro de 2025, a autoridade monetária decretou a liquidação extrajudicial do Banco Master, afirmando ao TCU que buscou, até o limite, soluções de menor custo para a sociedade antes de adotar a medida extrema. 

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