O deputado federal Josimar Maranhãozinho foi alvo de mandados de busca e apreensão cumpridos pela Polícia Federal na manhã desta quinta-feira (25), durante a Operação Afluente, que investiga um suposto esquema de desvio de recursos públicos ligados a emendas parlamentares.
A ação foi autorizada pelo ministro Flávio Dino, do Supremo Tribunal Federal (STF), e cumpriu 18 mandados nos estados do Maranhão, Goiás e no Distrito Federal.
Segundo a Polícia Federal, a investigação apura possíveis crimes de corrupção, peculato, lavagem de dinheiro e organização criminosa. Os recursos sob suspeita teriam sido movimentados por meio da Companhia de Desenvolvimento dos Vales do São Francisco e do Parnaíba e posteriormente destinados à contratação de empresas que estariam ligadas, direta ou indiretamente, ao grupo investigado.
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De acordo com informações da investigação, um dos endereços alvo da operação teria ligação com o parlamentar. A suspeita surgiu porque Josimar Maranhãozinho aparece como sócio de uma das empresas citadas no inquérito.
A Polícia Federal afirma que busca esclarecer o destino dos recursos e a eventual participação dos investigados no esquema. Caso as suspeitas sejam confirmadas ao longo das apurações e dos processos judiciais, os envolvidos poderão responder por crimes como corrupção ativa e passiva, peculato, lavagem de capitais e organização criminosa.
A defesa do deputado foi procurada, mas não havia se manifestado até a publicação da reportagem.
CONDENAÇÃO ANTERIOR
A nova operação ocorre em meio a um histórico de investigações envolvendo o parlamentar. Em um processo anterior, a Procuradoria-Geral da República (PGR) apontou que Josimar Maranhãozinho teria atuado na coordenação da destinação de emendas parlamentares.
Segundo a acusação, ele também acompanhava a liberação dos recursos, controlava planilhas de pagamentos e cobrava valores que seriam destinados ao esquema investigado. O caso teve desdobramentos na Justiça e resultou em condenação.
O QUE FOI O ORÇAMENTO SECRETO ?
O chamado "orçamento secreto" foi o nome dado às emendas de relator, conhecidas como RP9. O mecanismo permitia a distribuição de verbas públicas por indicação de parlamentares, mas sem transparência sobre a autoria dos pedidos ou critérios claros para a escolha dos beneficiados.
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A falta de identificação dos responsáveis pelas indicações gerou questionamentos sobre a utilização política dos recursos e levou o tema ao Supremo Tribunal Federal, que posteriormente considerou o modelo inconstitucional.