O derretimento de geleiras nos Alpes italianos trouxe à tona centenas de munições e artefatos explosivos que permaneceram escondidos sob o gelo por mais de um século, desde os combates da Primeira Guerra Mundial. Ao todo, cerca de 250 materiais bélicos foram localizados e removidos em uma operação militar realizada em diferentes pontos da região de Trentino-Alto Ádige, no norte da Itália.
A operação foi conduzida pela Brigada Alpina Julia, do Exército Italiano, que concluiu os trabalhos de identificação e retirada dos explosivos em 16 de outubro. Entre os materiais encontrados estavam projéteis de artilharia italianos e bombas de fabricação francesa.
Um dos pontos mais críticos foi o Canal San Bovo, onde 55 artefatos foram neutralizados, incluindo 37 bombas francesas. Parte das munições permaneceu preservada sob o gelo por mais de 100 anos e voltou a ficar exposta devido ao avanço do derretimento das geleiras.
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Os explosivos estão relacionados à chamada Guerra Branca, como ficaram conhecidos os confrontos travados entre tropas italianas e austro-húngaras nos Alpes, entre 1915 e 1918. Na época, os soldados enfrentaram condições extremas, com temperaturas muito baixas, avalanches, grandes altitudes e dificuldades de deslocamento para conquistar posições estratégicas e instalar artilharias.
Com o passar das décadas, o gelo manteve os vestígios dos combates escondidos. Montanhistas que passaram pela região identificaram os materiais e comunicaram às autoridades, dando início às operações de remoção.
Segundo a Brigada Alpina, munições antigas voltam a aparecer todos os anos durante o verão europeu e, em alguns casos, até o início do outono. A retirada precisa ser realizada dentro de um período seguro, antes do retorno das condições climáticas que podem provocar nevascas e dificultar o acesso às áreas montanhosas.
A presença dos explosivos representa perigo para trilheiros, turistas e moradores que circulam pelas montanhas. Por isso, as equipes militares precisam localizar, identificar e neutralizar os materiais antes que provoquem acidentes.
Durante uma das operações, uma trilha entre o pico Cima del Frate e a passagem Forcella Fierollo foi temporariamente interditada. A área, bastante frequentada por montanhistas, abrigava um conjunto de projéteis de artilharia de 75 milímetros.
O aparecimento das munições costuma ocorrer durante o verão europeu, após relatos de pessoas que fazem caminhadas e excursões na região. Neste ano, o primeiro artefato foi identificado em junho, quando um projétil de 90 milímetros foi encontrado próximo a uma árvore, na região de Caldonazzo.
A descoberta aconteceu por acaso, durante o atendimento a um acidente de carro. O veículo havia caído em um barranco, e bombeiros que trabalhavam na remoção perceberam a presença do explosivo nas proximidades.
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As autoridades orientam que qualquer pessoa que encontre objetos suspeitos mantenha distância e comunique imediatamente o caso aos órgãos responsáveis. Fotografias feitas de um local seguro também podem ajudar os especialistas a identificar os materiais, mas ninguém deve tentar tocá-los ou removê-los.