Com 3 mil lixões ativos, Brasil desperdiça 28 milhões de toneladas de lixo por dia que poderiam virar biometano se fossem corretamente destinados
O Brasil enfrenta dificuldades para avançar na meta de ampliação da produção de biometano até 2026, principalmente devido ao problema persistente da destinação inadequada de resíduos sólidos. Apesar do potencial energético do lixo urbano e agrícola, grande parte dos materiais ainda é descartada em lixões ou sistemas sem tratamento adequado, o que compromete a geração desse combustível renovável.
Atualmente, milhões de toneladas de resíduos orgânicos que poderiam ser aproveitados na produção de biogás e posteriormente transformados em biometano acabam perdidas em locais sem infraestrutura apropriada. Esse cenário reduz significativamente a capacidade do país de expandir uma fonte de energia considerada estratégica para a transição energética e para a redução de emissões de gases de efeito estufa.
O biometano é obtido a partir do aproveitamento de resíduos orgânicos, como restos de alimentos, lixo doméstico, dejetos agroindustriais e esgoto tratado. Quando esses materiais são corretamente destinados a aterros sanitários ou usinas de biodigestão, passam por um processo de decomposição controlada que gera biogás, posteriormente purificado até se tornar biometano, um combustível semelhante ao gás natural.
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No entanto, a existência de milhares de lixões ativos no país dificulta esse processo. Nessas áreas, o lixo é depositado sem tratamento, liberando metano diretamente na atmosfera e desperdiçando um recurso que poderia ser convertido em energia limpa. Além disso, a falta de coleta seletiva eficiente e de infraestrutura adequada de tratamento agrava ainda mais o problema.

Foto: Reprodução
Especialistas destacam que, mesmo com avanços regulatórios e políticas públicas voltadas ao setor, a baixa eficiência na gestão de resíduos sólidos ainda é um dos principais gargalos para o desenvolvimento do biometano no Brasil. A ausência de investimentos consistentes em logística, tecnologia e regionalização da destinação do lixo também contribui para o atraso das metas estabelecidas.
Apesar dos desafios, o país possui grande potencial de produção, podendo se tornar um dos líderes mundiais em biometano caso consiga estruturar melhor sua cadeia de resíduos. Para isso, seria necessário ampliar aterros sanitários, incentivar plantas de biodigestão e fortalecer políticas de reciclagem e coleta seletiva em nível nacional.
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Enquanto essas mudanças não avançam na velocidade necessária, a meta de expansão do biometano segue comprometida, evidenciando a ligação direta entre a gestão de resíduos urbanos e o futuro da matriz energética brasi