Revisão de 29 estudos identificou maior probabilidade de perda auditiva moderada a grave entre adultos com diabetes, especialmente aqueles com menos de 60 anos.
Pessoas com diabetes podem apresentar mais que o dobro de chances de desenvolver perda auditiva moderada a grave em comparação com indivíduos sem a doença. A conclusão é de uma revisão sistemática com meta-análise que reuniu 29 estudos publicados entre 2000 e 2025, com resultados divulgados em outubro de 2026.
De acordo com a pesquisa, aproximadamente um em cada quatro adultos com diabetes apresenta perda auditiva de pelo menos 40 decibéis, nível que pode dificultar a compreensão de conversas cotidianas. A estimativa foi calculada a partir de 23 estudos que, juntos, avaliaram 5.221 participantes.
A análise comparativa de 11 estudos identificou que adultos com diabetes tinham 2,41 vezes mais chances de apresentar comprometimento auditivo moderado a grave. Os pesquisadores ressaltam que os resultados demonstram uma associação entre as condições, mas não comprovam, isoladamente, que o diabetes seja a causa direta de todos os casos de perda auditiva.
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O levantamento também apontou diferenças conforme a faixa etária. Entre pessoas com menos de 60 anos, a probabilidade de perda auditiva foi aproximadamente três vezes maior entre aquelas com diabetes. Nos participantes com 60 anos ou mais, a associação não apresentou significância estatística, possivelmente devido à maior frequência de alterações auditivas relacionadas ao envelhecimento.
Uma das explicações investigadas pelos pesquisadores envolve os efeitos da glicose elevada sobre os pequenos vasos sanguíneos e as estruturas nervosas da cóclea, localizada no ouvido interno e responsável pelo processamento dos sons. Danos nessas estruturas podem comprometer a capacidade auditiva.
A perda auditiva pode evoluir gradualmente e passar despercebida nas fases iniciais. Dificuldades para compreender conversas, principalmente em ambientes com ruído, podem ser sinais de alteração e devem ser avaliadas por profissionais de saúde.
Os autores defendem que a avaliação auditiva receba maior atenção no acompanhamento de pessoas com diabetes, especialmente entre adultos mais jovens. A realização de exames, como a audiometria, pode ajudar a identificar alterações e orientar o acompanhamento adequado.
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O estudo foi publicado na revista científica Diabetes/Metabolism Research and Reviews. Os pesquisadores também destacam limitações, como diferenças entre os estudos analisados e a necessidade de novas investigações para compreender melhor a relação entre o controle da glicose, o tempo de diagnóstico e a perda auditiva.