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Dieta rica em gordura pode prejudicar a memória em apenas uma semana, aponta estudo
Foto: Reprodução

Uma dieta rica em gordura pode provocar alterações no cérebro e prejudicar a memória em apenas uma semana, segundo um estudo realizado em camundongos e publicado na revista científica Molecular Psychiatry. Os pesquisadores identificaram mudanças no processamento do RNA dos neurônios, mecanismo essencial para a produção de proteínas envolvidas na comunicação entre as células cerebrais.

 

A pesquisa foi conduzida por cientistas da Universidade de Tóquio, no Japão, e apontou que a alimentação rica em gordura reduziu os níveis da proteína PQBP1, relacionada ao funcionamento dos neurônios. Essa redução provocou alterações na produção de proteínas importantes para as sinapses, estruturas responsáveis pela comunicação entre as células do cérebro.

 

Para investigar os efeitos da alimentação sobre a atividade cerebral, os pesquisadores dividiram os camundongos em três grupos. Um deles recebeu alimentação normal, enquanto os outros dois foram submetidos a uma dieta altamente calórica e rica em gordura durante uma semana e seis semanas, respectivamente.

 

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Os animais expostos à dieta mais gordurosa apresentaram ganho de peso, aumento dos níveis de açúcar no sangue e elevação da insulina. As análises do córtex cerebral também identificaram uma redução da proteína PQBP1 nos neurônios. O resultado foi observado tanto nos animais submetidos à dieta por uma semana quanto naqueles que mantiveram a alimentação por seis semanas. Um experimento realizado com fêmeas apresentou resultados semelhantes.

 

Os cientistas também observaram que as pequenas estruturas dos neurônios responsáveis pela formação de conexões desapareciam mais rapidamente nos animais alimentados com excesso de gordura. Como consequência, os camundongos apresentaram uma redução no número de conexões cerebrais.

 

Segundo os pesquisadores, a diminuição da PQBP1 prejudicou o processamento do RNA de genes relacionados às sinapses. Esse mecanismo interfere na produção de proteínas necessárias para a liberação de neurotransmissores, substâncias fundamentais para a comunicação entre os neurônios, podendo comprometer a memória e outras funções cognitivas.

 

Durante a investigação, os cientistas também testaram a possibilidade de reverter os efeitos observados nos animais. Para isso, utilizaram a pioglitazona, medicamento comercializado sob nomes como Actos e Glustin, empregado no tratamento do diabetes tipo 2.

 

Após três ou seis semanas de tratamento, os camundongos apresentaram melhora em diferentes testes de memória, incluindo avaliações de memória espacial de curto e longo prazo e de aprendizagem associada ao medo. As análises do tecido cerebral também indicaram sinais de recuperação das conexões entre os neurônios.

 

Resultados semelhantes foram observados quando os pesquisadores introduziram a proteína PQBP1 no cérebro dos animais por meio de um vírus modificado, utilizando uma técnica experimental de terapia gênica. Os testes comportamentais e os registros da atividade elétrica cerebral indicaram melhora da memória e da cognição.

 

Apesar dos resultados, os pesquisadores ressaltam que o estudo foi realizado exclusivamente em camundongos, em condições controladas de laboratório. Portanto, os achados não permitem afirmar que os mesmos efeitos ocorram da mesma forma em seres humanos.

 

A pesquisa também não significa que consumir ocasionalmente alimentos ricos em gordura, como hambúrgueres, provoque necessariamente prejuízos à memória. Os resultados apontam um possível mecanismo biológico que ajuda a explicar como alterações metabólicas associadas à alimentação podem afetar o funcionamento cerebral.

 

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Os cientistas destacam que ainda são necessários estudos clínicos em humanos para confirmar a relevância dessas descobertas. O uso de medicamentos como a pioglitazona não deve ser iniciado por conta própria com o objetivo de melhorar a memória ou compensar os efeitos de uma alimentação inadequada.


 

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