Diretora de conteúdo adulto revela como começou na indústria e os desafios de uma mulher feminista na área do sexo
Aquela história que mulheres não gostam de pornô já está ultrapassada. Elas não apenas gostam de ver, como também tomam a dianteira do outro lado do “balcão”: na direção de filmes.
A sueca Erika Lust virou referência em pornografia feminista e busca quebrar a fetichização tradicional que é vinculada ao corpo feminino. Em 2013, lançou uma plataforma chamada XConfessions, em que recebe histórias anônimas de pessoas de todo mundo e cria curtas metragens. Suas produções retratam mulheres e pessoas LGBTQIA+ sem hiperssexualização e foca nos desejos e prazeres reais.
E ela não está sozinha. A brasileira Vitória Schwarzeluhr, que atende pelo nome artístico Dread Hot, é diretora de conteúdo adulto e revela que entrou na área através do camming.
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“Comecei fazendo shows por webcam de forma totalmente anônima — passei quase um ano sem mostrar o rosto ou revelar minha identidade. Foi só depois desse período que recebi o convite para participar de um filme pornô. Confesso que, até então, eu ainda tinha certo preconceito com o pornô tradicional, mas a ideia veio de uma diretora mulher, com um roteiro no qual eu interpretava uma personagem em que me identifiquei — e isso me tocou de um jeito especial.”
A profissional destaca que a experiência foi diferente de como ela imaginava. “Pela minha graduação, já tinha uma base sobre cinema, mas não fazia ideia de que dava para unir arte e pornografia de forma tão profunda. Me apaixonei. A partir dali, entendi que queria fundar minha própria produtora e mergulhar nesse universo com um novo olhar”, destaca.
Feminismo dentro da pornografia
Vitória fundou sua produtora em 2019. Desde então, continua produzindo filmes que exaltam a presença feminina para além de objeto sexual. “Ser feminista é desafiador em qualquer área da vida e, na indústria pornográfica, não é diferente. Existe muita confusão sobre o que significa o feminismo, e as críticas nem sempre vêm de onde a gente espera — já ouvi, por exemplo, que eu ‘não era atriz de verdade’ só porque, na época, gravava exclusivamente com meu namorado. Tristemente, muitas dessas críticas vieram de outras mulheres”, acrescenta.
A artista também afirma que, para ela, o mais importante é aplicar os valores feministas em todas as etapas, da pré-produção ao roteiro, passando pelo cuidado com os atores, pela escuta ativa da equipe técnica e pela construção de um ambiente de trabalho pautado em igualdade salarial, de espaço, ou de respeito.
O que falta para o pornô ser inclusivo?
Para a profissional, um dos maiores problemas está na falta de consciência sobre o que se consome. “Isso vale para tudo — comida, música, entretenimento —, e na pornografia é ainda mais grave. Consumimos no automático, sem saber quem está por trás daquela cena, qual é a história de quem participou”, comenta.
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Na visão da profissional, é preciso começar a enxergar o pornô com o mesmo olhar que se tem para um filme de um diretor renomado: saber quem dirigiu, quem produziu, qual foi o conceito e o impacto daquela cena nas pessoas envolvidas.
Fonte: Metrópoles