De acordo com levantamento da Federação da Agricultura do Rio Grande do Sul (Farsul), a alta está diretamente ligada às tensões no Oriente Médio
O aumento expressivo no preço do diesel já provoca um forte impacto no agronegócio brasileiro, acumulando prejuízos estimados em R$ 7,2 bilhões. O encarecimento do combustível, essencial para as operações no campo, tem elevado os custos de produção e gerado preocupação em toda a cadeia produtiva, desde o plantio até a distribuição dos alimentos.
De acordo com levantamento da Federação da Agricultura do Rio Grande do Sul (Farsul), a alta está diretamente ligada às tensões no Oriente Médio, que influenciaram o mercado internacional de petróleo e refletiram no preço dos combustíveis no Brasil. Entre o fim de fevereiro e abril de 2026, o litro do diesel saltou de R$ 6,13 para cerca de R$ 7,55, acumulando aumento de aproximadamente 23%.
Esse avanço tem impacto imediato no campo, especialmente nas atividades que dependem de maquinário pesado, como preparo do solo, plantio, colheita e transporte. O estudo aponta que, a cada aumento de R$ 0,25 no litro do diesel, o custo do setor sobe cerca de R$ 1,3 bilhão, evidenciando a forte dependência do agronegócio em relação ao combustível.
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Diversas culturas já registram aumento significativo nos custos de produção. O arroz teve acréscimo de mais de R$ 200 por hectare, enquanto o algodão, milho, trigo e soja também apresentaram elevação relevante nos gastos. Já a cana-de-açúcar aparece como uma das mais impactadas, com aumento de aproximadamente R$ 355 por hectare.
Quando analisados os números totais, os prejuízos ganham proporções ainda maiores. O setor sucroenergético lidera as perdas, com cerca de R$ 3,39 bilhões, seguido pela produção de soja, que acumula impacto superior a R$ 2 bilhões. Outras culturas, como milho, arroz, algodão e trigo, também registram perdas que somam centenas de milhões de reais.
Além de afetar diretamente os produtores, o aumento do diesel já começa a pressionar a inflação, especialmente no setor de alimentos. Especialistas alertam que o encarecimento da produção tende a ser repassado ao consumidor final, o que pode resultar em preços mais altos nos supermercados e maior impacto no custo de vida da população.
Diante desse cenário, o Congresso Nacional discute medidas para tentar reduzir os efeitos da alta dos combustíveis. Um dos projetos em análise prevê mecanismos de compensação e incentivos fiscais, buscando aliviar os custos do setor produtivo e minimizar os impactos econômicos mais amplos.
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Considerado um dos pilares da economia brasileira, o agronegócio enfrenta agora um novo desafio: lidar com a volatilidade dos preços dos combustíveis, que já se tornou um fator determinante para a rentabilidade e o planejamento das safras nos próximos meses.