Nabor Wanderley disputa candidatura com senador do MDB e rivalidade envolveu até corrida para tirar fotos com Lula
O presidente da Câmara dos Deputados, Hugo Motta (Republicanos-PB), deve enfrentar um caminho cheio de obstáculos para transformar o pai, o prefeito de Patos Nabor Wanderley (Republicanos), em um candidato realmente competitivo ao Senado Federal na Paraíba.
O principal entrave está na relação instável com o governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, que mantém boa popularidade no estado. Apesar de Motta ter articulado, no fim de 2025, a aprovação de projetos importantes para o Planalto — como a proposta que reduz incentivos fiscais e amplia a taxação das bets — e até ter se reunido com Lula para alinhar votações, o clima político segue longe de ser totalmente favorável.
Em outra frente, surgiram atritos significativos, especialmente na tramitação do projeto que reduz penas para o ex-presidente Jair Bolsonaro e outros envolvidos nos atos de 8 de janeiro. Hugo Motta, inclusive, não compareceu à cerimônia organizada por Lula para marcar a data, ocasião em que o presidente vetou o projeto.
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Agora, um novo embate se desenha: oposição e líderes do Centrão pressionam Motta e opresidente do Senado, Davi Alcolumbre (União-AP), para derrubar o veto presidencial, o que pode aprofundar o desgaste com o Planalto.
Esse cenário é explorado por adversários. O senador Veneziano Vital do Rego (MDB-PB), que tenta a reeleição e disputa espaço com Nabor, participou do evento de Lula sobre o 8 de janeiro e fez questão de divulgar uma foto ao lado do presidente nas redes sociais, sinalizando alinhamento e tentando enfraquecer o rival.
A movimentação ocorreu poucas semanas depois de Nabor também posar ao lado de Lula, durante a posse do ministro do Turismo, Gustavo Feliciano, em dezembro. A disputa por gestos simbólicos com o presidente evidencia a briga pelo apoio do PT no estado.
Apesar de Republicanos e PT integrarem a base do governador João Azevêdo (PSB), o tabuleiro político é complexo. O governador articula sua própria candidatura ao Senado e tenta viabilizar o vice Lucas Ribeiro (PP) como sucessor. Nabor busca espaço na segunda vaga, mas ainda não há definição clara sobre como as alianças serão acomodadas.
Enquanto isso, a oposição avança de forma mais unificada. O ex-ministro da Saúde de Bolsonaro, Marcelo Queiroga (PL), desponta como um dos principais nomes na disputa ao Senado. Pesquisas locais indicam João Azevêdo na liderança, seguido por Veneziano, Queiroga e Nabor.
Aliados de Hugo Motta minimizam as incertezas e afirmam que Nabor tem o apoio de grande parte dos prefeitos paraibanos, além de crescimento nas pesquisas desde o lançamento recente da pré-candidatura. Para eles, a movimentação intensa de Veneziano seria prova de que Nabor é, sim, uma ameaça real.
Já adversários dizem que não existe uma aliança orgânica entre a família Motta e o PT, e que Hugo tenta usar o peso do cargo de presidente da Câmara para impulsionar o pai.
Em entrevista recente, Nabor deixou claro que busca o apoio de Lula.
— Não escondo de ninguém que durante toda a vida nosso voto foi em Lula para presidente. Tenho certeza que vai dar tudo certo — afirmou.
Hugo Motta, por sua vez, adotou tom mais cauteloso.
— Isso depende do presidente e do partido do presidente. O que buscamos é um projeto que represente o que a Paraíba precisa — declarou.
O cenário ainda pode mudar com a possível federação entre União Brasil e PP, que será decisiva para o palanque de Lula no estado. Se o PP prevalecer, Lucas Ribeiro deve ser o candidato ao governo. Caso o União Brasil lidere, Efraim Filho, aliado do bolsonarismo, pode assumir a cabeça de chapa, o que enfraqueceria o PT e desorganizaria os planos de Hugo Motta.
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Com alianças indefinidas, disputas internas e pressão nacional, a corrida pelo Senado na Paraíba promete ser uma das mais acirradas e imprevisíveis do país.