Em 2025, cobranças judiciais de dívidas privadas chegaram ao maior patamar da série, segundo levantamento do g1 com dados do CNJ
As cobranças judiciais de dívidas privadas atingiram um novo recorde no Brasil. Em 2025, foram registrados 1.239.537 novos processos de execução de títulos extrajudiciais não fiscais, o maior número da série histórica analisada pelo Conselho Nacional de Justiça (CNJ).
O levantamento mostra um crescimento expressivo nos últimos anos. Em 2020, foram registrados 772.645 processos desse tipo. Desde então, o número aumentou ano após ano, chegando a 838.701 em 2021, 994.098 em 2022, 1.131.730 em 2023 e 1.194.184 em 2024.
A alta ocorre em meio ao avanço do endividamento das famílias brasileiras. Em março de 2026, 80,4% das famílias declararam possuir algum tipo de dívida, o maior percentual registrado pela Pesquisa de Endividamento e Inadimplência do Consumidor (Peic), da CNC.
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Os processos analisados envolvem cobranças de dívidas privadas de consumidores e empresas. Entre os casos estão empréstimos, financiamentos de veículos ou imóveis, dívidas de aluguel, cheques, duplicatas e outros documentos que comprovam a existência do débito.
Segundo especialistas, a cobrança judicial costuma ser utilizada quando outras tentativas de receber o dinheiro já não funcionaram. O avanço dos processos ocorre em um cenário de crédito mais acessível, aumento do endividamento e dificuldades para que consumidores e empresas mantenham os pagamentos em dia.
Entre janeiro e março de 2026, foram registrados outros 295.541 novos processos. O levantamento, porém, não compara os meses seguintes porque o CNJ alterou a forma de classificação da categoria no painel estatístico a partir de junho.
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O crescimento da judicialização mostra o tamanho da pressão provocada pelas dívidas no país e revela que, para milhares de credores, recorrer à Justiça tem sido o último caminho para tentar recuperar valores não pagos.