Beto Simonetti tentou rever decisão aprovada pelo Conselho Federal e presidentes das seccionais, mas recuou após reação interna à mudança de posição.
Uma disputa interna na Ordem dos Advogados do Brasil (OAB) ganhou força após o presidente nacional da entidade, Beto Simonetti, tentar rever uma decisão relacionada à atuação do procurador-geral da República, Paulo Gonet, no caso que envolve mensagens atribuídas ao banqueiro Daniel Vorcaro e ao ministro Alexandre de Moraes.
Na quarta-feira (9), o Conselho Federal da OAB e os presidentes das 27 seccionais estaduais realizaram uma reunião extraordinária e aprovaram o pedido para que Gonet não atuasse pessoalmente no processo relacionado às investigações. A solicitação foi posteriormente encaminhada ao Supremo Tribunal Federal (STF).
No dia seguinte, porém, mensagens trocadas entre dirigentes da entidade revelaram uma tentativa de reavaliar o posicionamento. Segundo reportagem da colunista Bela Megale, do jornal O Globo, a movimentação provocou questionamentos entre presidentes estaduais sobre a possibilidade de modificar, em pouco tempo, uma decisão tomada de forma coletiva.
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Em uma conversa no grupo que reúne os presidentes das seccionais, Simonetti teria questionado o encaminhamento adotado pela entidade.
“Pessoal, acho que usamos dois pesos e duas medidas”, escreveu o presidente nacional da OAB.
Simonetti também defendeu Gonet e afirmou que o procurador-geral da República é “inocente”. O presidente da entidade citou ainda a necessidade de garantir o contraditório e a ampla defesa e disse estar com um “sentimento de injustiça” diante da situação.
Em outra manifestação no grupo, Simonetti teria reforçado sua intenção de rever o posicionamento. “Não posso falar abertamente aqui. Mas acreditem em mim que é necessário”, afirmou, segundo a reportagem.
PRESIDENTES ESTADUAIS QUESTIONARAM MUDANÇA
A tentativa de recuo provocou resistência entre parte dos presidentes das seccionais. Alguns dirigentes sustentaram que Gonet não deveria continuar atuando pessoalmente no caso depois de ter sido citado em relatório policial.
Ao mesmo tempo, integrantes da OAB destacaram que um pedido de suspeição ou afastamento não representa, necessariamente, uma acusação de crime ou uma antecipação de culpa.
A discussão estaria relacionada principalmente à preservação da imparcialidade e à confiança na condução de um processo que envolve autoridades públicas e informações sob investigação.
Diante da divisão, parte dos presidentes estaduais chegou a autorizar uma nova solicitação ao STF para suspender a análise do pedido de afastamento de Gonet. Outros dirigentes, no entanto, passaram a cobrar explicações sobre a mudança de posição de Simonetti.
A reação interna acabou levando o presidente nacional da OAB a desistir de apresentar a nova petição ao Supremo.
SIMONETTI DECLARA APOIO A GONET
Mesmo diante da controvérsia, Simonetti manifestou publicamente confiança em Paulo Gonet. Em entrevista ao site Jurinews, o presidente da OAB afirmou respeitar a trajetória do procurador-geral da República e defendeu sua integridade.
“Afirmo em público minha confiança na honra e na integridade de Paulo Gonet. Tenho profundo respeito por sua trajetória e pela seriedade com que ele exerce suas responsabilidades”, declarou.
A manifestação, porém, não encerrou a discussão entre os dirigentes da entidade. O episódio continuou sendo debatido no grupo dos presidentes das seccionais, principalmente em relação à coerência entre a decisão aprovada inicialmente e a tentativa de revisão no dia seguinte.
Para os integrantes que defendem a manutenção do pedido, a questão não seria afirmar qualquer responsabilidade de Gonet, mas evitar dúvidas sobre sua imparcialidade na condução do caso.
A crise interna colocou em evidência não apenas a discussão jurídica envolvendo o procurador-geral da República, mas também o processo de tomada de decisões dentro da própria OAB.
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O principal questionamento entre os dirigentes passou a ser o que teria motivado a mudança de posição entre a decisão coletiva aprovada na quarta-feira e a tentativa de recuo no dia seguinte.