NOTÍCIAS
Geral
Do Paraná a Salt Lake City: a rotina que atravessa países mostra o novo perfil do suporte executivo
Foto: Divulgação

Em menos de quatro anos, Isabela Antunes Amaral coordenou operações no Brasil e nos Estados Unidos, passando por indústria, hotelaria universitária, rede de restaurantes e proteção animal, uma trajetória que ilustra como profissionais em início de carreir

À medida que empresas passam a operar com equipes distribuídas, fornecedores internacionais e diferentes plataformas de gestão, o trabalho de suporte executivo também ganha novas responsabilidades. Mais do que administrar agendas e compromissos, esses profissionais precisam compreender processos, organizar fluxos de informação e manter diferentes áreas conectadas, muitas vezes atravessando idiomas, culturas e fusos horários.

 

A trajetória de Isabela Antunes Amaral ajuda a mostrar como esse perfil pode ser construído ainda nos primeiros anos de carreira. Antes mesmo de concluir a graduação em Administração de Empresas pela David Eccles School of Business, da Universidade de Utah, em maio de 2025, ela já acumulava experiências profissionais no Brasil e nos Estados Unidos, passando por indústria, ambiente universitário, rede de restaurantes e terceiro setor.

 

Sua primeira experiência profissional começou ainda no Brasil, na Plásticos Magno. Isabela atuou como assistente de negócios e marketing na Plásticos Magno, fabricante de embalagens. Além de colaborar na preparação de apresentações estratégicas e materiais de marketing multilíngues, contribuiu em viagens internacionais relacionadas a clientes corporativos.

 

Veja também

 

Engenheira que atuou em segurança de barragens da Vale defende: ''controle não pode depender de memória''

 

Conta de luz fica sem cobrança extra em outubro; veja cidades do Amazonas beneficiadas

 

Foi uma experiência que colocou a comunicação entre diferentes mercados no centro de sua rotina profissional.

 

“Foi ali que comecei a perceber que trabalhar com pessoas de diferentes mercados exige mais do que falar outro idioma. A informação precisa chegar de uma forma que faça sentido para quem vai utilizá-la. Isso envolve entender contexto, prioridade e expectativa, e não apenas traduzir palavras”, afirma Isabela.

 

POR: LEONARDO SANTOS DE SOUZA

 

A mudança para os Estados Unidos para cursar a graduação ampliou esse aprendizado. Em vez de seguir uma trajetória restrita a um único setor, Isabela passou por ambientes com estruturas e demandas bastante diferentes entre si.

 

Assumiu a coordenação de conferências no alojamento universitário da Universidade de Utah. A operação, de US$ 2,4 milhões, recebia grupos de jovens e adultos durante o período de férias.. A função envolvia desde a coordenação das rotinas operacionais, incluindo hospedagem e processos de cobrança, até a comunicação direta com grupos numerosos. A rotina também exigia o uso simultâneo de diferentes ferramentas, entre elas Atrium, Google Workspace e Microsoft 365.

 

Mais do que a mudança de ferramentas, a experiência reforçou uma característica que acompanharia os passos seguintes da carreira: a necessidade de compreender rapidamente como uma nova operação funciona e adaptar a comunicação a diferentes públicos.

 

DA ROTINA EXECUTIVA À EXPANSÃO DE UMA REDE

 

Essa capacidade ganhou outra dimensão em 2025, quando Isabela assumiu a função de assistente executiva da CEO da Aubergine Kitchen, rede de restaurantes fundada em Utah.

 

Além de administrar agenda e comunicações da liderança, e auxiliar no desenvolvimento de novos projetos. Isabela passou a acompanhar processos relacionados à abertura de novas unidades da marca. Sua atuação incluía etapas de licenciamento, administração de contratos com fornecedores e interlocução entre a diretoria e gerentes distritais.

 

Na prática, o trabalho colocava a profissional em um ponto de encontro entre diferentes frentes da operação: informações que surgiam em uma área precisavam chegar organizadas a outras para que os processos continuassem avançando.

 

“Quando uma empresa cresce, não aumenta apenas o número de tarefas. Aumenta também a quantidade de pessoas, prazos e informações que precisam estar coordenados. Parte importante do suporte executivo é conseguir enxergar essas conexões e evitar que cada área avance de maneira isolada”, explica.

 

A experiência também mostra uma transformação menos visível na própria assessoria executiva. Em organizações com múltiplas unidades e fornecedores, estar próximo da liderança significa não apenas organizar compromissos, mas compreender quais informações precisam circular, quem depende delas e em que momento elas se tornam relevantes.

 

Nesse contexto, organização deixa de significar simplesmente manter uma agenda em ordem. Passa a envolver continuidade operacional.

 

MAIS DE 400 CUIDADORES EM CINCO ESTADOS

 

Paralelamente às experiências profissionais remuneradas, desde janeiro de 2024 Isabela atua como voluntária remota da Best Friends Animal Society, uma das maiores organizações de proteção animal dos Estados Unidos.

 

Nesse trabalho, mantém e atualiza registros relacionados a mais de 400 cuidadores temporários distribuídos por seis localidades em cinco estados americanos. A atividade depende de múltiplas plataformas digitais para armazenamento de registros e exige que informações produzidas permaneçam organizadas e acessíveis.

 

A distância geográfica acrescenta outra camada à complexidade organizacional e à precisão necessária.

 

“Em uma operação distribuída, organização não é simplesmente registrar uma informação. É garantir que pessoas em lugares diferentes consigam trabalhar a partir da mesma referência. Quando não existe esse padrão, pequenos desencontros podem gerar retrabalho e dificultar a continuidade do processo”, afirma Isabela.

 

É justamente a repetição desse desafio em contextos tão diferentes que ajuda a conectar experiências que, à primeira vista, poderiam parecer pouco relacionadas.

 

Indústria, hotelaria universitária, alimentação e proteção animal possuem estruturas próprias. Os sistemas também mudam. O Atrium utilizado na Universidade de Utah não é o Shelterluv empregado na organização de proteção animal; da mesma maneira, as necessidades de uma indústria paranaense são diferentes das encontradas em uma rede de restaurantes americana.

 

Ainda assim, existe um elemento comum: alguém precisa compreender rapidamente o ambiente, organizar as informações e fazer com que elas circulem entre as pessoas certas.

 

“De um projeto a outro, podem mudar o idioma , o sistema, às vezes o fuso horário de quem está do outro lado. O que não muda é a necessidade de alguém garantir que a informação chegue organizada e no tempo certo.”, diz Isabela.

 

A CAPACIDADE DE SE ADAPTAR SEM PERDER A DIREÇÃO

 

Ao longo dessa trajetória, mudar de país, setor ou sistema significou mais do que aprender novas ferramentas. Para Isabela, cada experiência acrescentou uma nova camada de responsabilidade, ampliando sua atuação de funções de apoio para atividades ligadas à coordenação operacional, liderança executiva e expansão empresarial.

 

Essa capacidade de adaptação foi sendo construída desde o início da carreira. Da indústria no interior do Paraná aos ambientes universitários americanos e, posteriormente, às operações envolvendo liderança executiva, expansão empresarial e coordenação remota entre diferentes estados, cada mudança contribuiu para ampliar sua experiência profissional. O domínio de idiomas acompanha esse percurso. A partir da experiência entre português e inglês, Isabela encontrou na comunicação uma ferramenta importante para atuar entre diferentes culturas organizacionais. Mas sua experiência mostra que adaptação profissional vai além da língua: envolve entender como cada organização funciona e reconhecer rapidamente de que maneira informações, processos e pessoas se relacionam.

 

“Ferramentas podem ser aprendidas e processos mudam de uma empresa para outra. O que procuro entender primeiro é por que determinada informação existe, quem depende dela e qual decisão ou ação vem depois. Quando você compreende essa lógica, fica mais fácil dinâmica da operação e responder com mais clareza às diferentes demandas. ”, afirma.

 

Essa forma de enxergar o trabalho ajuda a explicar por que experiências aparentemente distantes, de uma fábrica paranaense a uma organização americana de proteção animal, podem fazer parte de uma mesma construção profissional. Em vez de recomeçar a cada mudança de setor, Isabela passou a transportar conhecimentos de um contexto para outro, incorporando novas ferramentas e responsabilidades ao repertório que já havia desenvolvido.

 

Mais do que uma sequência de experiências em diferentes organizações, sua trajetória revela, assim, uma especialização construída na interseção entre informação, processos e pessoas. É justamente nessa capacidade de compreender o funcionamento de diferentes ambientes e estabelecer conexões entre suas partes que suas experiências profissionais encontram um ponto em comum.

 

Curtiu? Siga o PORTAL DO ZACARIAS no Facebook, Twitter e no Instagram.

Entre no nosso Grupo de WhatApp, Canal e Telegram

 

Do Paraná a Salt Lake City, a mudança não esteve apenas nos setores, idioma ou nos sistemas utilizados, mas também no alcance das responsabilidades assumidas ao longo de sua trajetória.Em um mercado no qual equipes, fornecedores e sistemas estão cada vez mais distribuídos, essa experiência também ajuda a mostrar como o suporte executivo vem ocupando um espaço que ultrapassa os limites tradicionais da função administrativa. Nos bastidores das organizações, profissionais com esse perfil participam da conexão entre quem executa, quem coordena e quem precisa das informações para decidir. 

LEIA MAIS
DEIXE SEU COMENTÁRIO

Nome:

Mensagem:

Copyright © 2013 - 2026. Portal do Zacarias - Todos os direitos reservados.