* Por Maria Santana Souza - A violência política de gênero é um dos maiores e mais vergonhosos obstáculos para a democracia brasileira. O recente episódio envolvendo a candidata ao Senado Marina Silva, hostilizada e ameaçada fisicamente durante uma caminhada eleitoral em São Paulo, não foi um fato isolado. Trata-se de uma tática deliberada de intimidação. O objetivo é claro: usar o medo e a força para afastar as mulheres dos espaços de decisão e poder.
Como jornalista, recuso-me a tratar o caso como um mero "incidente de percurso". Quando um homem avança de forma agressiva contra uma liderança da estatura de Marina Silva, o recado é direcionado a todas nós. É o machismo estrutural tentando demarcar território. Essa violência gestual e verbal funciona como uma ferramenta de coerção psicológica, desenhada para que a mulher se sinta vulnerável e desprotegida no exercício de seus direitos políticos.
A solidariedade imediata de figuras como Simone Tebet e Fernando Haddad é fundamental, mas notas de repúdio já não bastam. A intolerância política ganha contornos muito mais perversos quando o alvo é o gênero. Propostas governamentais de proteção e acolhimento preventivo são urgentes, mas o enfrentamento real exige tolerância zero das instituições e a punição exemplar dos agressores. Não podemos normalizar o absurdo.
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Para nós, que vivenciamos e cobrimos os desafios das mulheres através do Portal Mulher Amazônica, o ataque a Marina acende um alerta desesperador. Se uma ex-ministra de projeção internacional é encurralada à luz do dia em uma metrópole, a vulnerabilidade das lideranças comunitárias, indígenas e ribeirinhas no interior da Amazônia é infinitamente maior.
A violência política quer nos empurrar de volta para a invisibilidade e o silêncio. Não recuaremos. O jornalismo tem o dever de denunciar e desmascarar esses covardes, porque o espaço público também é nosso por direito.
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*Maria Sanatana Souza - Jornalista | Fundadora do Portal Mulher Amazônica | Especialista em Comunicação para Causas Sociais e Representatividade Feminina na Política no Amazonas.