Em livro que será lançado em setembro, Carlos de Almeida Baptista Junior relata reuniões com o ex-presidente e afirma ter temido uma ruptura institucional após as eleições de 2022
O ex-comandante da Força Aérea Brasileira (FAB), tenente-brigadeiro Carlos de Almeida Baptista Junior, afirma ter enfrentado fortes pressões durante o fim do governo Jair Bolsonaro para que as Forças Armadas apoiassem medidas destinadas a impedir a posse de Luiz Inácio Lula da Silva, vencedor das eleições presidenciais de 2022.
Os relatos estão no livro Eu disse não – Uma trincheira antigolpista, que será lançado pela editora Autêntica. Na obra, o militar descreve reuniões realizadas após o segundo turno e afirma ter percebido um risco concreto de ruptura institucional.
Segundo Baptista Junior, as pressões atingiram os comandantes das três Forças. Ele afirma que temia principalmente a possibilidade de uma iniciativa dentro do Exército que não estivesse alinhada à posição legalista adotada pelo então comandante da Força, general Freire Gomes.
Veja também

Filha presencia assassinato da mãe dentro de salão e revela que ela queria se separar do companheiro
Ministério da Fazenda suspende ZeroumBet, criada por Deolane Bezerra, e outras casas de apostas
O ex-comandante também relata um episódio em que Bolsonaro teria dito a ele: “BJ, eu já te dei dois cartões amarelos”. Segundo Baptista Junior, a declaração ocorreu em uma das reuniões realizadas após a derrota eleitoral.
Apesar da tensão, o militar afirma que os comandantes das Forças Armadas não apoiariam uma ruptura. Ele também negou que tenha havido omissão diante dos acampamentos montados por apoiadores de Bolsonaro em frente aos quartéis.
De acordo com Baptista Junior, uma das razões para não retirar os manifestantes à força foi o receio de que a ação provocasse confrontos e mortes. Ele afirmou que os militares buscavam conduzir a situação dentro dos limites da legalidade.
O ex-comandante também mencionou reuniões nas quais teria sido discutida a possibilidade de adoção de medidas de exceção para impedir a posse de Lula. Segundo ele, não estavam presentes os requisitos legais necessários para medidas como Garantia da Lei e da Ordem, estado de defesa ou estado de sítio.
RELAÇÃO COM BOLSONARO
Baptista Junior afirmou que votou em Bolsonaro nas eleições de 2018 e 2022. Ele disse que considerava a anulação das condenações de Lula, antes do pleito de 2022, uma quebra do Estado Democrático de Direito.
O militar, porém, afirmou que não acreditava que uma eventual reeleição de Bolsonaro necessariamente levaria a uma ditadura. Questionado sobre a condenação do ex-presidente, preferiu não fazer uma avaliação sobre a decisão judicial e afirmou que a questão cabe ao Judiciário e ao meio político.
Durante o governo Bolsonaro, Baptista Junior também manteve uma relação institucional próxima com o então presidente e chegou a interagir com publicações políticas nas redes sociais. Atualmente, ele afirma que teria mais cautela com esse tipo de manifestação, mas nega que tenha dado qualquer sinal de que apoiaria uma ruptura institucional.
CRÍTICAS A FLÁVIO BOLSONARO
Na entrevista, o ex-comandante da FAB também criticou a retomada de questionamentos sobre o processo eleitoral. Ao comentar declarações de Flávio Bolsonaro, afirmou que considera um erro voltar a levantar dúvidas sobre a lisura das eleições.
Baptista Junior também fez críticas ao uso de discursos políticos considerados polarizadores e afirmou que a sociedade brasileira precisa superar a escolha de candidatos baseada principalmente em índices de rejeição.
ATUAÇÃO DAS FORÇAS ARMADAS
O militar defendeu que as Forças Armadas não devem atuar como protagonistas da política nacional. Para ele, o caminho para evitar novas crises institucionais passa pelo conhecimento da história e pelo respeito às regras democráticas.
Carlos de Almeida Baptista Junior comandou a FAB de abril de 2021 a janeiro de 2023. Ele ingressou na Aeronáutica em 1975 e chegou ao posto de tenente-brigadeiro em 2018.
Curtiu? Siga o PORTAL DO ZACARIAS no Facebook, Twitter e no Instagram.
Entre no nosso Grupo de WhatApp, Canal e Telegram
Após deixar o comando da Força Aérea, passou à reserva. No livro, reúne relatos sobre os bastidores da crise institucional ocorrida após as eleições de 2022 e sustenta que se posicionou contra qualquer tentativa de ruptura da ordem democrática.