O documentário “American Doctor”, que estreou no Festival de Cinema de Sundance, nos Estados Unidos, lança luz sobre a atuação de três médicos americanos que trabalharam em hospitais da Faixa de Gaza durante a guerra entre Israel e o Hamas, trazendo relatos chocantes sobre a situação da população civil, especialmente de crianças.
Logo no início do filme, a diretora Poh Si Teng se recusa a filmar o corpo de uma criança palestina morta, temendo desrespeitar sua dignidade ao exibir a imagem. A decisão, no entanto, é questionada por um dos protagonistas do documentário, o médico judeu-americano Mark Perlmutter, que defende a exibição das imagens como forma de denúncia.
“Você não dignifica essas crianças se não permitir que seus corpos contem a história desse trauma, desse genocídio. Isso é o que os impostos americanos estão financiando. As pessoas têm o direito de saber a verdade”, afirmou Perlmutter. Segundo ele, desfocar imagens dessa natureza seria uma má prática jornalística.
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Mesmo com um cessar-fogo considerado frágil, a violência continua na região. De acordo com o Unicef, dezenas de crianças seguem entre as vítimas do conflito. Investigadores da Organização das Nações Unidas (ONU) acusam Israel de cometer genocídio em Gaza, acusação rejeitada pelo governo do primeiro-ministro Benjamin Netanyahu, que classifica as denúncias como “distorcidas e falsas” e acusa seus críticos de antissemitismo.
MÉDICOS DENUNCIAM BLOQUEIO E ATAQUES A HOSPITAIS
Além de Perlmutter, o documentário acompanha outros dois médicos — um palestino-americano e outro zoroastrista não praticante — que atuaram diretamente no atendimento de feridos em Gaza. Eles relatam cenas de extrema brutalidade, com pacientes apresentando amputações, ferimentos abertos e falta de atendimento adequado.
O filme também mostra as dificuldades enfrentadas para obter equipamentos cirúrgicos e medicamentos, levando os profissionais a recorrerem ao contrabando de antibióticos, devido ao bloqueio imposto por Israel. Muitos voluntários seguem trabalhando mesmo sob risco constante de bombardeios.
Um dos episódios destacados é o chamado “golpe duplo” contra o Hospital Nasser, em Khan Yunis, no sul da Faixa de Gaza, ocorrido em agosto de 2025. Israel afirma que hospitais são alvos legítimos por supostamente abrigarem combatentes do Hamas em túneis subterrâneos.
O médico Feroze Sidwha, outro personagem do documentário, rebate essa versão. Segundo ele, nunca foram encontrados túneis sob os hospitais onde atuou e, mesmo que houvesse combatentes feridos, isso não justificaria ataques a unidades de saúde.
“Os americanos merecem saber o que está acontecendo e em que seu dinheiro está sendo usado. Estou bastante certo de que, se soubessem, a resposta seria não”, afirmou Sidwha em entrevista à agência AFP durante o festival.
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O documentário é dedicado aos cerca de 1.700 profissionais de saúde que morreram desde o início da ofensiva israelense contra Gaza, em outubro de 2023, e busca provocar debate internacional sobre os impactos humanitários do conflito.