Levantamento com 337 mil pacientes do SUS mostra que a prevalência de retocolite ulcerativa e doença de Crohn saltou de 30 para 158 casos por 100 mil habitantes; projeção indica novo avanço de 67% até 2035
O número de brasileiros com doenças inflamatórias intestinais (DII) aumentou mais de quatro vezes entre 2012 e 2025. A prevalência passou de 30 para 158 casos a cada 100 mil habitantes, um crescimento de 427% no período, segundo um estudo apresentado nesta sexta-feira (25), durante o 74º Congresso Brasileiro de Coloproctologia, em Balneário Camboriú (SC).
A pesquisa utilizou registros do Sistema Único de Saúde (SUS) e identificou 337.539 pacientes com essas doenças no período analisado. Entre os casos, cerca de 207 mil eram de retocolite ulcerativa e 99 mil de doença de Crohn. O levantamento foi realizado por pesquisadores ligados à Universidade do Oeste de Santa Catarina (Unoesc), à PUC do Paraná e outras instituições.
As doenças inflamatórias intestinais são condições crônicas que provocam inflamação no sistema digestivo. A doença de Crohn pode atingir diferentes partes do aparelho digestivo, enquanto a retocolite ulcerativa afeta principalmente o intestino grosso e o reto. Entre os sintomas mais comuns estão diarreia persistente, dor abdominal, presença de sangue nas fezes, perda de peso e cansaço.
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Os pesquisadores afirmam que as causas são multifatoriais e podem envolver fatores genéticos, ambientais, nutricionais e imunológicos. O aumento identificado também pode estar relacionado à melhora no diagnóstico e ao maior reconhecimento dessas doenças. Como os dados utilizados são do SUS, o estudo pode não representar todos os brasileiros com DII, já que pacientes atendidos exclusivamente pela rede privada não entram no levantamento.
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A tendência é de continuidade do crescimento. A pesquisa estima que a incidência de novos casos possa chegar a 22,7 por 100 mil habitantes em 2035. Se a projeção se confirmar, a prevalência poderá alcançar 264 casos por 100 mil habitantes naquele ano, cerca de 67% acima do índice registrado em 2025. As doenças não têm cura, mas podem ser controladas com tratamento e acompanhamento médico.