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Dois caminhos, uma geração: o adolescente que salva e os que matam. VEJA VÍDEO
Foto: Reprodução / PORTAL DO ZACARIAS

*Por Antônio Zacarias - O vídeo que circula nas redes sociais mostra um adolescente interrompendo o próprio caminho para salvar um bicho-preguiça de um atropelamento iminente. Com cuidado, ele retira o animal da pista e o conduz até uma árvore, onde a mãe, agarrada ao tronco, o recebe de volta. É um gesto simples, silencioso e poderoso. Um ato de empatia que não pede aplauso — apenas humanidade.

 

Do outro lado do país, em Florianópolis, adolescentes da mesma faixa etária seguiram um caminho oposto. Não o da proteção, mas o da brutalidade. O cão comunitário Orelha, conhecido e cuidado por moradores da Praia Brava, foi agredido com violência extrema. Tão extrema que não resistiu aos ferimentos e precisou ser submetido à eutanásia. Antes disso, segundo a Polícia Civil, o mesmo grupo ainda teria tentado afogar outro cachorro, Caramelo, levando-o ao mar. Ele sobreviveu por pouco.

 

O contraste não poderia ser mais cruel. De um lado, um jovem que reconhece a vida como algo que merece ser preservado, mesmo quando não fala, não reage e não pertence à sua espécie. Do outro, adolescentes que enxergaram em animais indefesos uma oportunidade de exercer poder, violência e crueldade — não por necessidade, mas por escolha.

 

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Orelha não era “apenas um cachorro”. Era um cão comunitário, com casinha, nome, rotina e afeto. Era alimentado diariamente, conhecido pelos moradores, parte viva da paisagem humana da Praia Brava. Foi encontrado dias depois, jogado, agonizando, com ferimentos irreversíveis. A comoção nacional não foi exagero: foi resposta moral a um ato que fere a ideia básica de civilização.

 

Esses dois episódios expõem uma verdade incômoda: não é a juventude que está em crise, mas os valores que a atravessam. Há adolescentes sendo educados para o cuidado, para o respeito à vida e para a empatia. E há outros que naturalizam a violência, testam limites e transformam o sofrimento alheio em entretenimento.

 

O menino que devolveu o filhote de preguiça à mãe não salvou apenas um animal. Ele reafirmou que ainda há esperança, que ainda há escolhas possíveis. Já os que mataram Orelha deixaram uma marca que vai além do processo policial: revelaram um vazio ético que precisa ser enfrentado pela família, pela sociedade e pelo Estado.

 

Entre salvar e matar, sempre há uma decisão. E é essa decisão — aparentemente pequena — que define quem somos.

 

VEJA VÍDEO:

 

 

 

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*Antônio Zacarias é fundador e proprietário do PORTAL DO ZACARIAS, atualmente no top 10 dos portais de notícias mais acessados do Brasil. Jornalista experiente, foi editor-geral de diversos jornais da Região Norte, com atuação destacada no Amazonas, onde dirigiu os jornais Diário do Amazonas e O Povo do Amazonas, cujos proprietários eram Dissica Thomaz e o hoje senador Plínio Valério. Durante dois anos, atuou como correspondente do jornal O Globo na Região Norte, a convite de Ascânio Seleme, então coordenador dos correspondentes no Brasil e atual editor-geral de O Globo. Antônio Zacarias é também autor do livro “100 erros de português que todo mundo comete, inclusive você!”, obra voltada à valorização do bom uso da língua portuguesa.

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