Enquanto bolsas internacionais reagiram ao cenário externo mais favorável, incertezas fiscais e expectativa pela decisão do Copom pressionaram o câmbio no Brasil.
O mercado financeiro brasileiro encerrou esta terça-feira (4) em direção oposta ao cenário observado no exterior. O dólar comercial subiu 0,87% e fechou cotado a R$ 5,13, enquanto o Ibovespa registrou leve recuo de 0,06%, encerrando o pregão aos 177,8 mil pontos.
Analistas apontam que a valorização da moeda norte-americana no Brasil foi impulsionada principalmente por fatores internos. As incertezas relacionadas ao cenário político e fiscal, somadas à expectativa pela decisão do Comitê de Política Monetária (Copom) sobre a taxa Selic, aumentaram a cautela dos investidores e pressionaram o câmbio.
No exterior, o ambiente foi diferente. O dólar perdeu força diante de diversas moedas internacionais, enquanto os mercados reagiram positivamente às notícias de uma possível aproximação diplomática entre Estados Unidos e Irã. A perspectiva de redução das tensões no Oriente Médio também provocou uma forte queda nos preços do petróleo.
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O barril do Brent, referência internacional, caiu mais de 5%, sendo negociado abaixo dos US$ 80. O petróleo WTI também registrou perdas expressivas, refletindo o otimismo dos investidores com a possibilidade de avanço nas negociações envolvendo o Estreito de Ormuz, uma das principais rotas de transporte de petróleo do mundo.
Outro fator que influenciou os mercados foi a divulgação de novos dados sobre o mercado de trabalho dos Estados Unidos. O relatório JOLTS mostrou redução na abertura de vagas de emprego em junho, indicando uma desaceleração gradual da economia americana. O resultado reforçou a expectativa de que o Federal Reserve possa adotar uma postura menos rígida em relação aos juros.
Com esse cenário, as bolsas de Nova York encerraram o dia em forte alta, impulsionadas também pelo desempenho das empresas de tecnologia e pelo recuo dos preços do petróleo.
No Brasil, os investidores aguardam a decisão do Copom, marcada para esta quarta-feira (5). A expectativa predominante do mercado é de um corte de 0,25 ponto percentual na taxa Selic, atualmente em 14,25% ao ano. Mais do que a decisão em si, o foco está nas sinalizações que o Banco Central poderá fazer sobre os próximos passos da política monetária.
Os dados mais recentes da economia brasileira também reforçam esse cenário. A produção industrial recuou 1,8% em junho, marcando a segunda queda consecutiva do indicador e fortalecendo as apostas de novos cortes nos juros ao longo dos próximos meses.
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Mesmo com o ambiente internacional mais favorável, especialistas avaliam que o mercado brasileiro continua sendo influenciado principalmente por fatores domésticos, especialmente as dúvidas sobre o equilíbrio das contas públicas e o rumo da política econômica.