Relatório da ANA aponta barragens da Mineração Taboca, em Presidente Figueiredo, entre as estruturas que demandam atenção especial na gestão da segurança.
Duas barragens de rejeitos da Mineração Taboca, localizadas na Mina do Pitinga, em Presidente Figueiredo, passaram a integrar a lista de estruturas consideradas prioritárias para acompanhamento da segurança no Relatório de Segurança de Barragens 2026, divulgado pela Agência Nacional de Águas e Saneamento Básico (ANA).
As barragens, identificadas como 81-01 e 0-1, encontram-se desativadas e foram classificadas como estruturas com potencial de causar danos humanos e impactos ambientais em caso de acidentes. A barragem 81-01 aparece no Sistema Nacional de Informações sobre Segurança de Barragens (SNISB) com Categoria de Risco (CRI) alta, enquanto ambas possuem Dano Potencial Associado (DPA) alto.
O levantamento da ANA aponta que 213 barragens em todo o Brasil necessitam de maior atenção por apresentarem fatores que podem representar riscos à população ou à infraestrutura, como estradas, pontes e áreas urbanizadas.
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Segundo a Agência Nacional de Mineração (ANM), a inclusão dessas estruturas na lista não significa que exista risco iminente de rompimento. O enquadramento considera critérios técnicos estabelecidos pela Política Nacional de Segurança de Barragens (PNSB), como a existência de anomalias graves, classificação de risco elevada ou enquadramento em níveis de emergência.
No caso das barragens da Mineração Taboca, a ANM informou que ambas estavam classificadas, até 31 de dezembro de 2025, com Dano Potencial Associado alto e Nível de Emergência 1, condição que justificou sua inclusão no relatório. A agência esclareceu, porém, que a barragem 0-1 já saiu do nível de emergência e, caso a análise fosse feita com base na situação atual, ela não seria mais considerada prioritária. Já a barragem 81-01 permanece enquadrada entre as estruturas que exigem acompanhamento especial.
A agência ressaltou que o objetivo da classificação é orientar a fiscalização e reforçar a supervisão sobre empreendimentos que demandam maior controle, sem indicar, necessariamente, risco imediato de colapso.
As duas barragens já haviam sido incluídas no relatório anterior após inspeções realizadas em 2024. Entretanto, o relatório da ANM referente a 2025 aponta que não houve nova fiscalização presencial nas estruturas durante o ano passado. A agência informou que ambas fazem parte do cronograma de inspeções previsto para 2026.
De acordo com o Sistema Integrado de Gestão de Segurança de Barragens de Mineração (SIGBM), a barragem 81-01, utilizada desde 1986 para armazenar rejeitos de mineração, apresenta problemas em seu estado de conservação e ainda aguarda a implementação de medidas corretivas apontadas na última fiscalização.
O relatório da ANA também revela um cenário preocupante em nível nacional. Em 2025, foram registrados 18 acidentes e 23 incidentes envolvendo barragens no país. Embora não tenham ocorrido mortes, alguns episódios provocaram evacuação de áreas, além de danos em rodovias e pontes. O principal mecanismo de falha identificado foi o galgamento, quando o nível da água ultrapassa a estrutura da barragem.
Outro ponto destacado é a redução no número de profissionais responsáveis pela fiscalização dessas estruturas. Pela primeira vez desde o rompimento da barragem de Brumadinho, em 2019, houve queda no efetivo de fiscais. Atualmente, 333 profissionais atuam na área em 33 órgãos públicos, número considerado insuficiente pela ANA, que estima um déficit de pelo menos 221 servidores dedicados exclusivamente à segurança de barragens.
Procurada, a Mineração Taboca informou que todas as suas barragens são monitoradas continuamente, passam por inspeções periódicas e recebem manutenção preventiva realizada por equipes técnicas especializadas. A empresa afirmou que as estruturas são consideradas seguras e destacou que a classificação de risco adotada pelos órgãos reguladores leva em conta diversos fatores técnicos, como características construtivas, estado de conservação, idade da barragem e cumprimento dos planos de segurança, não estando relacionada, necessariamente, à estabilidade da estrutura.
A mineradora acrescentou que mantém suas informações atualizadas junto aos órgãos fiscalizadores e segue investindo em gestão de riscos, manutenção e aprimoramento dos sistemas de segurança de suas barragens.