Mensagens obtidas pela Polícia Federal mostram movimentação para concluir a negociação de um imóvel de alto padrão em São Paulo horas antes da prisão do ex-banqueiro
Mensagens de e-mail apreendidas pela Polícia Federal revelam que houve uma tentativa de vender um apartamento de luxo avaliado em R$ 60 milhões no mesmo dia em que o ex-banqueiro Daniel Vorcaro foi preso, em 17 de novembro do ano passado. As conversas mostram uma corrida para concluir a negociação de uma cobertura em construção localizada na cidade de São Paulo.
O imóvel fica no empreendimento Vizcaya Itaim, situado na Avenida Horácio Lafer, no bairro Itaim Bibi. A cobertura tríplex possui projeto do arquiteto João Armentano e conta com 12 vagas de garagem. O empreendimento é administrado e construído pela Lucio Engenharia em parceria com a Bolsa de Imóveis.
De acordo com os registros, a negociação começou dias antes da prisão. Em 14 de novembro, a corretora Regiane Bernardes, da Victorino Imóveis, enviou um e-mail solicitando documentos necessários para a conclusão da venda, incluindo a confirmação de quitação do imóvel e a guia para pagamento do ITBI (Imposto de Transmissão de Bens Imóveis). Na mensagem, ela confirmou que o valor da transação seria de R$ 60 milhões.
Veja também

Produção industrial brasileira cresce 1,8% em janeiro e tem maior alta desde junho de 2024
Mega-Sena acumula novamente e próximo prêmio chega a R$ 50 milhões
Ainda na mesma data, o advogado Bruno Bianco respondeu informando que representava um interessado na compra. Ele afirmou que as negociações estavam avançadas, mas dependiam da apresentação do termo de quitação para seguir adiante.
Segundo os e-mails, o imóvel pertence à empresa Viking, ligada ao patrimônio de Vorcaro. A companhia também ficou conhecida por possuir aeronaves utilizadas pelo empresário, incluindo um jato que ele pretendia usar para viajar ao exterior naquele mesmo dia.
Dois meses antes, Vorcaro havia vendido 55% da Viking a um fundo administrado pela Reag Investimentos e deixado oficialmente a administração da empresa, transferindo o cargo para outra pessoa. Mesmo assim, as mensagens mostram que ele continuava sendo incluído nas conversas sobre a negociação.
Na manhã de 17 de novembro, a corretora responsável voltou a pressionar os envolvidos para acelerar o processo. Em um e-mail enviado antes das 8h, ela solicitou o envio urgente de documentos e do link para assinatura digital do contrato de compra e venda.
Ao longo do dia, novos pedidos de agilidade foram enviados, com a justificativa de que a operação precisava ser concluída ainda naquela data. Enquanto isso, Vorcaro participava de reuniões com representantes do Banco Central do Brasil e divulgava a notícia da venda do Banco Master para a financeira Fictor — movimento que investigadores apontam como possível tentativa de desviar atenção de sua situação.
Segundo informações do processo, o mandado de prisão contra Vorcaro foi expedido pela Justiça Federal às 16h34 daquele dia. Um minuto depois, o empresário enviou um e-mail confirmando que a corretora tinha autonomia para agir em seu nome na negociação do imóvel.
Mesmo com a pressão para acelerar os procedimentos, a venda não foi concluída. Pessoas próximas à negociação afirmam que a transação acabou interrompida após a prisão do empresário na mesma noite. No dia seguinte, o Banco Central decretou a liquidação do Banco Master.
Procurado pela imprensa, Bruno Bianco afirmou que atuou apenas como advogado de um interessado no imóvel e que não tinha conhecimento prévio sobre qualquer investigação ou medida judicial envolvendo o vendedor.
Curtiu? Siga o PORTAL DO ZACARIAS no Facebook, Twitter e no Instagram.
Entre no nosso Grupo de WhatApp, Canal e Telegram
Já a Bolsa de Imóveis declarou que não pode comentar transações realizadas por meio da empresa sem autorização das partes ou determinação judicial. A corretora responsável pela negociação também foi procurada, mas não respondeu aos contatos até a publicação da reportagem.