Segundo o Intercept Brasil, filho do ex-presidente assinou contrato com empresa como um dos produtores-executivos; ex-deputado nega irregularidades
O ex-deputado Eduardo Bolsonaro (PL), filho do ex-presidente Jair Bolsonaro, que mora nos Estados Unidos desde o começou do ano passado, trabalhou como produtor-executivo do filme Dark Horse, que conta a história do pai, sendo responsável pela captação de recursos para o projeto. A informação foi divulgada nesta sexta-feira (15), pelo site Intercept Brasil,que teve acesso ao contrato.
Na última quarta-feira (13), o site divulgou que o banqueiro Daniel Vorcaro ajudou a financiar a cinebiografia de Jair Bolsonaro e que as negociações com o dono do Banco Master, que está preso por fraude financeira, foram feitas pelo filho mais velho, o senador Flávio Bolsonaro, pré-candidato à Presidência.
A publicação exibiu áudio em que Flávio pede dinheiro e pressiona Vorcaro pelos pagamentos. Vorcaro teria liberado R$ 61 milhões para o filme, de R$ 134 milhões negociados por Flávio Bolsonaro.
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O Intercept Brasil aponta um contrato datado em novembro de 2023 e assinado digitalmente por Eduardo Bolsonaro com a empresa GoUp Entertainment, com sede nos Estados Unidos, produtora do longa.
No contrato, também assina como produtor o deputado federal Mario Frias (PL), que está sendo investigado pelo Supremo Tribunal Federal (STF), após denúncia de destinação irregular de emenda parlamentar para o filme.
Entre as funções estabelecidas pelo contrato divulgado pela reportagem estão as de “envolvimento nas considerações estratégicas relacionadas ao financiamento do filme e preparação de informações e documentação para investidores e assistência na identificação de recursos de financiamento de filmes, incluindo créditos e incentivos fiscais, colocação de produtos e patrocínio”.
Outro documento, datado de fevereiro de 2024, mostra uma minuta de um aditivo de contrato para a produção do filme e Eduardo Bolsonaro aparece como financiador do filme. A reportagem diz que não há confirmação se o aditivo chegou a ser, de fato, assinado.
IRMÃOS NEGAM
Flávio Bolsonaro concedeu entrevista nesta tarde à CNN e disse que se trata de “um contrato antigo que deixou de existir”. Ele diz que o documento foi formalizado antes de haver a estrutura com a produtora nos Estados Unidos e que, depois da estrutura ser formalizada, esse deixou de existir. Negou também que o irmão Eduardo tenha gerido o orçamento da produção.
Já Eduardo Bolsonaro, em vídeo divulgado após a publicação da reportagem, rebateu as acusações e disse que utilizou recursos próprios, oriundos de um curso chamado “Ação Conservadora”, para investir cerca de US$ 50 mil na fase inicial do projeto.
De acordo com o parlamentar, o valor foi destinado à contratação de um diretor de Hollywood para desenvolver o roteiro e manter o projeto, em andamento enquanto buscava investidores para viabilizar o longa.
Então a gente conseguiu segurar o diretor de Hollywood por dois anos com esse contrato, que eu fui um louco, que eu coloquei todo o risco somente para mim. Estava chegando no final desse contrato, nós iríamos perder o diretor de Hollywood, quando surgiu a possibilidade de um grande investidor vir a nos ajudar a fazer o filme, que depois acabou sendo um pulo, vários investidores
Eduardo Bolsonaro já havia negado acesso aos recursos do filme, na quarta-feira (14), quando foi divulgado que a Polícia Federal apura se o dinheiro solicitado por Flávio Bolsonaro a Daniel Vorcaro foi utilizado para bancar despesas do ex-deputado nos Estados Unidos.
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Também em uma publicação na internet, disse que o status migratório dele nos Estados Unidos o impediria de receber dinheiro de fundo de investimento ligado a Vorcaro.
Fonte:Ig