Projeção da Fiocruz aponta cerca de 866 mil casos prováveis no Brasil, número próximo ao dos últimos anos. Modelos que consideram o clima sugerem risco maior no Sul, mas ainda divergem sobre impacto do fenômeno
A possibilidade de um super El Niño durante o próximo verão colocou as autoridades de saúde em alerta para a circulação da dengue no Brasil em 2027. Projeções apresentadas por pesquisadores da Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz) estimam aproximadamente 860 mil casos prováveis da doença no país, em um cenário que pode ser agravado pelas mudanças climáticas.
O levantamento reúne 22 modelos desenvolvidos por mais de 130 pesquisadores de oito países. A estimativa central aponta cerca de 860 mil infecções, mas existe uma margem de incerteza: o total pode variar entre 560 mil e 1,6 milhão de casos. O período de maior transmissão é esperado para abril, quando podem ser registrados aproximadamente 40 mil casos em uma semana.
Os pesquisadores ressaltam que a projeção principal não considera diretamente os possíveis efeitos do El Niño. Modelos que incluíram variáveis climáticas apresentaram resultados diferentes, indicando que o fenômeno pode aumentar a transmissão em algumas regiões, mas ainda não existe consenso sobre a dimensão desse impacto em todo o território nacional. No Sul, entretanto, as simulações apontam de maneira mais consistente para uma temporada com mais casos.
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A previsão também indica tendência de crescimento das infecções em relação à temporada anterior nos estados do Paraná, Rio de Janeiro, Mato Grosso do Sul, Sergipe, Acre e Minas Gerais. Para as demais unidades da federação, o cenário esperado é próximo ou inferior ao período anterior, mas os especialistas recomendam manter a vigilância epidemiológica diante da possibilidade de alterações nas condições de temperatura e chuva.
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Além da dengue, os pesquisadores projetam mais de 90 mil casos prováveis de chikungunya em 2027, doença também transmitida pelo mosquito Aedes aegypti. Diante do cenário, a orientação é intensificar as medidas de prevenção, eliminando recipientes com água parada, limpando calhas e evitando possíveis criadouros. As projeções não apontam necessariamente para uma epidemia semelhante à registrada em 2024, mas reforçam a necessidade de preparação dos serviços de saúde e atenção da população.