Pesquisadores alertam que um El Niño intenso pode reduzir as chuvas, limitar a recuperação dos rios e favorecer uma vazante ainda mais severa no Amazonas em 2027
A intensidade do El Niño prevista para este segundo semestre pode comprometer a cheia dos rios do Amazonas em 2027 e contribuir para uma vazante ainda mais intensa no segundo semestre do próximo ano. O alerta foi apresentado nesta terça-feira (1º) pelo Serviço Geológico do Brasil (SGB) e pelo Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia (Inpa).
Segundo os pesquisadores, o comportamento dos rios dependerá principalmente da quantidade e da regularidade das chuvas nos próximos meses. O gerente de Hidrologia do SGB Amazonas, André Martinelli, explicou que, além da velocidade de descida dos rios, é necessário observar o nível alcançado durante o período de cheia, considerado a cota de partida para a temporada seguinte.
A avaliação indica que o pico da cheia de 2027 poderá ficar abaixo do registrado neste ano. Com um nível inicial menor, os rios teriam menos água disponível para enfrentar o período de estiagem, aumentando a possibilidade de uma vazante mais severa.
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O pesquisador do Inpa Renato Senna afirmou que o comportamento do El Niño pode ser comparado ao observado em anos de forte atuação do fenômeno, como 2015, além das condições registradas em 2023. Segundo ele, o aumento da temperatura das águas do oceano pode prejudicar a formação de nuvens e reduzir as chuvas sobre a Bacia Amazônica.
A previsão é de que os efeitos do fenômeno possam se estender até março de 2027, período que já corresponde ao início da temporada chuvosa na região. Caso as precipitações atrasem ou ocorram em volume abaixo do esperado, os rios podem não recuperar seus níveis adequadamente, criando condições para uma estiagem mais intensa no segundo semestre.
RIO NEGRO JÁ APRESENTA RECUO
Em Manaus, o Rio Negro apresentou queda de 10 centímetros em aproximadamente 24 horas e chegou a 24,09 metros nesta terça-feira (1º).
Os cenários analisados pelo SGB apontam que o nível do rio durante o pico da vazante deste ano pode ficar entre 13 e 16 metros. Embora os números sejam considerados estimativas e não uma previsão definitiva, os pesquisadores avaliam que a vazante deverá ocorrer abaixo do padrão considerado normal.
A situação também preocupa municípios do interior. Benjamin Constant e São Paulo de Olivença, ambos localizados na calha do Alto Solimões, já decretaram situação de emergência em razão dos efeitos provocados pela redução do nível dos rios.
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De acordo com a Defesa Civil do Amazonas, as duas cidades receberão apoio com alimentos, água potável e kits de higiene e limpeza.