Democratas tentam recuperar o controle do Congresso em meio à queda de popularidade do presidente e ao desgaste provocado pela economia e pela guerra no Irã.
Os eleitores dos Estados Unidos vão às urnas nesta terça-feira (3) para escolher os novos integrantes do Congresso em uma eleição que pode alterar o equilíbrio de forças em Washington e impor obstáculos ao governo do presidente Donald Trump. Conhecidas como midterms, as eleições de meio de mandato são realizadas entre as disputas presidenciais e funcionam como uma avaliação da administração em exercício.
A votação definirá as 435 cadeiras da Câmara dos Representantes e 35 das 100 vagas do Senado. Atualmente, os republicanos têm uma maioria apertada nas duas Casas, com 218 deputados contra 214 democratas na Câmara e 53 senadores republicanos, enquanto o bloco democrata e independentes alinhados reúne 47 cadeiras no Senado.
O pleito ocorre em um momento de desgaste da administração Trump, marcado pelo aumento do custo de vida, pela insatisfação com a economia, pelas tarifas comerciais e pelo prolongamento da guerra envolvendo Estados Unidos, Israel e Irã. Uma pesquisa Reuters/Ipsos divulgada na véspera da votação apontou aprovação de 32% para o presidente, próximo do menor índice registrado durante o mandato.
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O mesmo levantamento indicou vantagem dos democratas na preferência dos eleitores para o Congresso: 46% disseram preferir candidatos do partido, enquanto 38% optaram pelos republicanos. A pesquisa ouviu 1.765 eleitores e apresentou margem de erro de dois pontos percentuais. As projeções apontam uma disputa especialmente acirrada pelo Senado, enquanto os democratas aparecem em posição favorável para conquistar a maioria na Câmara.
Uma eventual vitória da oposição na Câmara daria aos democratas o comando das comissões parlamentares e maior poder para fiscalizar o governo. Os deputados poderiam convocar integrantes da administração, solicitar documentos e abrir investigações sobre decisões da Casa Branca, ampliando a pressão política sobre Trump.
No Senado, uma mudança de maioria também teria consequências importantes. A Casa é responsável por confirmar indicações presidenciais para cargos de alto escalão, embaixadas e tribunais federais. Com os democratas no controle, essas nomeações poderiam enfrentar mais resistência, dificultando a escolha de autoridades pelo presidente.
A possibilidade de um novo processo de impeachment também pode ganhar espaço caso os democratas conquistem a Câmara. O partido teria condições de iniciar procedimentos para apresentar acusações contra Trump, mas uma eventual condenação dependeria do julgamento no Senado e do apoio de dois terços dos parlamentares presentes. Uma derrota eleitoral, por si só, não retira o presidente do cargo.
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O resultado não encerra o mandato de Trump, que termina em janeiro de 2029, mas pode redefinir as condições políticas para os dois últimos anos de governo. Mesmo diante de uma maioria democrata, o republicano mantém poderes presidenciais, como o veto a projetos aprovados pelo Congresso, e poderá continuar utilizando instrumentos do Executivo para implementar parte de sua agenda.