A Embaixada do Brasil está sendo alvo de pressão para emitir um posicionamento oficial de repúdio a uma postagem de teor racista atribuída ao ex-presidente dos Estados Unidos Donald Trump.
A cobrança partiu da Educafro Brasil, organização que atua na promoção da educação e do combate ao racismo. A entidade encaminhou uma carta formal ao órgão diplomático questionando a divulgação de um conteúdo no qual, por meio de tecnologia de inteligência artificial, as imagens dos rostos do ex-presidente Barack Obama e da ex-primeira-dama Michelle Obama foram sobrepostas a corpos de macacos — um ato entendido como racista e ofensivo.
Segundo a Educafro, manifestações desse tipo, quando reproduzidas ou compartilhadas por figuras públicas de grande projeção internacional, não podem ser tratadas como opiniões pessoais, já que “legitimam práticas discriminatórias e produzem impactos simbólicos profundos sobre populações negras em todo o mundo, inclusive no Brasil”.
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A organização também afirmou que tal conteúdo contraria compromissos internacionais dos quais o Brasil é signatário, como a Convenção Interamericana contra o Racismo e a Convenção Internacional sobre a Eliminação de Todas as Formas de Discriminação Racial.
Na carta enviada à embaixada, a Educafro cobrou que:
-o repúdio do Estado brasileiro ao conteúdo ofensivo seja registrado oficialmente junto ao órgão diplomático;
-o Brasil reafirme seu compromisso com o combate ao racismo nos espaços internacionais;
-a representação brasileira nos Estados Unidos contribua para o fortalecimento de iniciativas multilaterais em defesa da justiça racial.
De acordo com a organização, a ausência de uma reação oficial por parte das autoridades brasileiras poderia ser interpretada como omissão diante de um ataque simbólico às comunidades negras.
Até o momento, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva ainda não comentou publicamente o caso específico da postagem atribuída a Trump. Em entrevistas recentes, Lula tem criticado a postura dos Estados Unidos em temas como a situação em Gaza e a Venezuela, mas não reagiu diretamente ao episódio de cunho preconceituoso relatado pela Educafro.
A pressão da sociedade civil, no entanto, continua, e a Embaixada do Brasil em Washington avalia como tratar o pedido de posicionamento oficial diante de um tema sensível que envolve relações diplomáticas e a defesa dos direitos humanos no exterior.
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Não é a primeira vez que questões envolvendo postagens ou declarações de autoridades americanas geram repercussão no Brasil e contribuem para debates públicos e políticos entre os dois países. Em 2025, por exemplo, uma crise diplomática marcou as relações entre Brasília e Washington, com episódios de tensão ligados a medidas econômicas e declarações de autoridades americanas que foram interpretadas como interferência interna brasileira.