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Encontro entre Lula e Trump deve focar consolidação política e acordos práticos
Foto: Reprodução

A expectativa no governo brasileiro é de que o próximo encontro entre os presidentes Luiz Inácio Lula da Silva e Donald Trump, previsto para março deste ano, em Washington, tenha caráter eminentemente político e diplomático, com foco na consolidação de entendimentos já alcançados e na abertura de espaço para parcerias concretas. A avaliação em Brasília é de que a reunião deve ir além do simbolismo, priorizando áreas de cooperação prática entre os dois países.

 

Integrantes do governo Lula ponderam, contudo, que a aposta convive com uma leitura crítica sobre o funcionamento da administração Trump. Segundo auxiliares do Planalto, decisões tomadas no topo do governo norte-americano enfrentam disputas internas e dificuldades de implementação nos níveis intermediários, o que impõe limites à previsibilidade e reduz a capacidade de planejamento. Ainda assim, o contato direto com Trump é visto como o principal instrumento para destravar impasses e reorganizar a relação bilateral.

 

Desde setembro de 2025, de acordo com avaliação interna do governo brasileiro, houve mudança significativa na percepção de Trump em relação ao Brasil. Esse movimento resultou na retirada de parte das sobretaxas impostas a produtos brasileiros. Em determinado momento, o país havia se tornado um dos principais alvos de um tarifaço, justificado pelo tratamento dado ao ex-presidente Jair Bolsonaro, condenado por tentativa de golpe de Estado.

 

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Apesar dos avanços, permanecem pontos sensíveis descritos como “problemas remanescentes”. Entre eles, a manutenção de tarifas que ainda impactam setores estratégicos da economia brasileira. A aposta do Planalto é que a interlocução direta entre os presidentes permita avançar na retirada dessas medidas e fortalecer a cooperação bilateral no combate ao crime organizado, tema considerado eixo central da agenda.

 

Lula pretende viajar acompanhado de ministros diretamente envolvidos nas negociações, incluindo Fazenda, Itamaraty e Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior, além dos titulares da Justiça e da Polícia Federal, especialmente no que se refere à cooperação contra o crime organizado transnacional.

 

Segundo auxiliares do presidente, há reconhecimento mútuo de que a relação bilateral já contribuiu para remover parte dos entraves, mas ainda será necessário empenho político adicional para eliminar os obstáculos restantes. O governo brasileiro espera que Trump sinalize, na presença de Lula, disposição para avançar nesse sentido.

 

A visita ainda não tem data confirmada. Fevereiro foi descartado em razão de compromissos internacionais de Lula, como viagens à Coreia do Sul e à Índia. Abril também apresenta restrições, com agenda prevista na Alemanha, durante a Feira de Hannover. Além disso, eventos externos envolvendo Irã, Cuba, Venezuela e Ucrânia podem alterar o contexto político até a realização do encontro.

 

No capítulo do conselho de paz proposto por Trump, interlocutores do governo afirmam que Lula apresentou condições claras para uma eventual participação brasileira. O presidente manifestou reservas estruturais à iniciativa, avaliando que o formato sugerido tende a aprofundar distorções já existentes no Conselho de Segurança da ONU, ao concentrar ainda mais poder decisório e comprometer a legitimidade do processo.

 

Na avaliação brasileira, a baixa representatividade do conselho — com cerca de 60 países convidados e pouco mais de 20 participantes efetivos — reforça esse déficit. Diante disso, Lula indicou dois pontos considerados indispensáveis: que o conselho se restrinja ao escopo das resoluções do Conselho de Segurança da ONU, com foco específico na situação em Gaza, e que a Autoridade Palestina seja incluída entre os participantes.

 

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A resposta de Trump, segundo relatos, não foi negativa, mas tampouco implicou compromisso concreto. Ele indicou que avaliaria as sugestões apresentadas. No governo brasileiro, a percepção é de que dificilmente o formato será ajustado nos aspectos considerados essenciais. Enquanto essas condições não forem atendidas, a tendência é de cautela, com o Brasil mantendo distância de uma iniciativa cuja legitimidade e efetividade seguem em aberto para Brasília. 

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