Condição genética impede o organismo de reparar danos causados pelos raios ultravioleta, aumentando drasticamente o risco de câncer de pele desde a infância.
A morte da influenciadora cearense Káh Felipe, na última sexta-feira (24), aos 35 anos, chamou a atenção para o xeroderma pigmentoso, uma doença genética extremamente rara que torna a exposição ao sol um grande risco à saúde. Káh, que reunia mais de 800 mil seguidores nas redes sociais, compartilhava sua rotina convivendo com a enfermidade e lutava contra um câncer de pele que acabou se espalhando pelo organismo.
O xeroderma pigmentoso é uma doença hereditária causada por alterações em genes responsáveis por reparar os danos provocados pela radiação ultravioleta no DNA das células. Enquanto o organismo da maioria das pessoas consegue corrigir naturalmente essas lesões após a exposição ao sol, os portadores da síndrome não possuem esse mecanismo de defesa, fazendo com que os danos se acumulem ao longo da vida.
Como consequência, pequenas exposições à luz solar podem desencadear queimaduras graves, envelhecimento precoce da pele e um risco extremamente elevado de desenvolver câncer. Especialistas apontam que pessoas com xeroderma pigmentoso têm até 10 mil vezes mais chances de apresentar câncer de pele em comparação com a população em geral, além de um risco muito maior para melanoma, o tipo mais agressivo da doença.
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Os primeiros sinais costumam aparecer ainda na infância. Manchas semelhantes a sardas surgem nas áreas expostas ao sol antes dos dois anos de idade. Com o passar do tempo, surgem ressecamento da pele, alterações de pigmentação e lesões que podem evoluir para tumores malignos.
Além da pele, a doença também pode comprometer os olhos, causando fotofobia intensa, irritações, lesões na córnea e até câncer ocular. Em alguns casos, os pacientes também desenvolvem perda auditiva progressiva e alterações neurológicas, dependendo do subtipo genético da doença.
Atualmente, não existe cura para o xeroderma pigmentoso. O tratamento consiste em acompanhamento médico contínuo, diagnóstico precoce dos tumores e proteção rigorosa contra a radiação ultravioleta. O uso diário de protetor solar de alta proteção, roupas especiais, chapéus, óculos com filtro UV e películas protetoras em janelas faz parte da rotina de quem convive com a síndrome.
Apesar de rara em todo o mundo, a doença ganhou destaque no Brasil devido à existência de uma das maiores concentrações conhecidas de pacientes no povoado de Araras, no município de Faina, em Goiás. Estudos apontam que a mutação genética responsável pelos casos da região foi trazida por colonizadores europeus há cerca de dois séculos e permaneceu circulando entre gerações da comunidade.
Pesquisadores seguem estudando novas alternativas de tratamento, incluindo terapias capazes de reparar o DNA e estratégias de terapia gênica. No entanto, essas abordagens ainda estão em fase de pesquisa e não fazem parte da prática clínica.
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O caso de Káh Felipe reforça a importância do diagnóstico precoce, do acompanhamento médico especializado e da conscientização sobre o xeroderma pigmentoso, uma doença rara que exige cuidados permanentes para reduzir os riscos e preservar a qualidade de vida dos pacientes.