Saída acelerada de capital estrangeiro pressiona a B3 em meio às incertezas fiscais e ao cenário eleitoral no Brasil.
A Bolsa brasileira registrou uma forte saída de recursos estrangeiros neste início de agosto. Em apenas sete pregões, investidores internacionais retiraram R$ 11,93 bilhões da B3, colocando o mês entre os períodos de maior fuga de capital de 2026.
Os dados, divulgados pela consultoria Elos Ayta, mostram que o volume retirado em poucos dias já representa cerca de 80% de toda a saída registrada em maio, quando o fluxo negativo chegou a R$ 14,91 bilhões, o maior do ano até agora.
Segundo o CEO da Elos Ayta, Einar Rivero, a velocidade da retirada chama atenção e pode fazer de agosto um dos meses com maior saída de recursos estrangeiros da história recente da Bolsa, caso o ritmo continue até o fim do mês.
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O movimento representa uma mudança em relação ao início do ano, quando o mercado brasileiro viveu um período de forte entrada de investimentos. Em janeiro, o saldo positivo foi de R$ 26,31 bilhões, impulsionado pela expectativa de juros mais baixos e pelo interesse de investidores em diversificar aplicações fora dos Estados Unidos.
Agora, o cenário é diferente. A perspectiva de uma Selic em torno de 13,75%, somada às preocupações com as contas públicas e à aproximação das eleições, aumentou a cautela dos investidores.
Além da retirada de recursos, a sequência de quedas da Bolsa provocou uma perda de aproximadamente R$ 279 bilhões no valor de mercado das empresas listadas na B3, montante equivalente a quase 90% do valor de mercado da Vale.
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Analistas avaliam que a combinação entre incertezas políticas, juros elevados e preocupações com o equilíbrio fiscal contribui para reduzir o apetite por risco, levando investidores estrangeiros a reverem suas posições no mercado brasileiro.