O consumo de cafeína por crianças pode estar associado a alterações no desenvolvimento cerebral, além de prejudicar a qualidade do sono. A conclusão é de uma pesquisa conduzida por cientistas do King's College London, no Reino Unido, que analisaram dados de mais de 9,6 mil crianças com idades entre 9 e 11 anos. Os resultados reforçam a preocupação com a presença da substância na rotina dos pequenos, principalmente por meio de refrigerantes.
Os pesquisadores avaliaram informações sobre o consumo de bebidas com cafeína, como café, chá e refrigerantes, além da duração do sono relatada pelos pais. Exames de ressonância magnética também foram utilizados para analisar características do córtex cerebral, região responsável por funções importantes, como atenção, tomada de decisões, processamento de informações e controle das emoções.
A análise identificou uma associação entre o maior consumo de cafeína e uma menor área de superfície do córtex cerebral em 22 regiões distintas. O padrão foi observado principalmente entre as crianças que consumiam refrigerantes, apontados como a principal fonte da substância entre os participantes. Os jovens que ingeriam mais cafeína também apresentaram menor duração do sono e maior ocorrência de dificuldades relacionadas à atenção, ao humor e ao comportamento.
Veja também

Mulher de 35 anos descobre aneurisma cerebral ao investigar suspeita de TDAH e passa por cirurgia
Segundo os pesquisadores, a redução do tempo de sono pode ajudar a explicar parte da relação observada entre o consumo de cafeína e os problemas de saúde mental identificados durante o acompanhamento. Entretanto, os cientistas ressaltam que os resultados não comprovam que a substância seja diretamente responsável pelas diferenças cerebrais. Outros componentes dos refrigerantes, como açúcar e aditivos, também podem influenciar os resultados.
Curtiu? Siga o PORTAL DO ZACARIAS no Facebook, Twitter e no Instagram.
Entre no nosso Grupo de WhatApp, Canal e Telegram
Diante dos achados, especialistas destacam a importância de os pais ficarem atentos ao consumo de bebidas cafeinadas durante a infância. Além do café, a substância está presente em refrigerantes à base de cola, chás, bebidas energéticas e produtos derivados do guaraná. A pesquisa reforça a necessidade de novos estudos para esclarecer os efeitos da cafeína no desenvolvimento cerebral e destaca a importância de hábitos saudáveis de sono durante o crescimento.