Estudo encontrou deformidades em 60,5% dos exemplares analisados na foz do Rio São Mateus; relação com rejeitos de Mariana é hipótese ainda não comprovada
Uma pesquisa identificou anomalias em mais de 60% dos peixes analisados no litoral Norte do Espírito Santo, quase sete anos depois do rompimento da barragem de Fundão, em Mariana (MG). Os animais pertencem à espécie Stellifer naso, conhecida como cabeçudo-preto ou tambor-estrela, e vivem próximos ao fundo do mar.
Os pesquisadores analisaram 38 exemplares coletados em maio de 2022, na região da bacia do Rio São Mateus, próxima a Conceição da Barra. Em 23 deles foram encontradas deformações nos otólitos, estruturas localizadas no ouvido interno dos peixes e responsáveis pelo equilíbrio, orientação e percepção de sons.
A taxa de 60,5% de anomalias é considerada a maior já registrada em estudos semelhantes sobre peixes costeiros no Brasil. Os pesquisadores investigam se a contaminação associada ao desastre de Mariana pode ter contribuído para as alterações, já que os animais vivem em contato direto com sedimentos.
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Apesar da preocupação, os cientistas ressaltam que o estudo ainda não comprova que as deformações foram provocadas pelo desastre de Mariana. A ausência de amostras coletadas antes de 2015 dificulta uma comparação histórica direta, e ainda são necessárias análises para identificar quais contaminantes podem estar relacionados às alterações encontradas.
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O resultado reforça a preocupação com os impactos ambientais de longo prazo provocados pelo rompimento da barragem, ocorrido em 2015. Segundo pesquisadores, ainda não é possível afirmar que o ambiente afetado esteja completamente recuperado, o que reforça a necessidade de monitoramento contínuo da fauna e dos sedimentos da região.