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Estudo da OMS aponta que surto de ebola ficou semanas sem ser detectado e pode superar 8 mil casos
Foto: Divulgação

Pesquisa indica que o vírus circulou silenciosamente por cerca de seis semanas e alerta para o risco de avanço da epidemia na África.

Um estudo desenvolvido por pesquisadores da Organização Mundial da Saúde (OMS) aponta que o atual surto de ebola na África permaneceu em circulação por aproximadamente seis semanas antes de ser identificado pelas autoridades sanitárias. A pesquisa também projeta que, caso o ritmo atual de transmissão seja mantido, o número de casos poderá ultrapassar 8 mil até setembro.

 

Publicado na revista científica The Lancet Infectious Diseases, o levantamento foi coordenado pelo epidemiologista Dick Chamla e utilizou um modelo de simulação baseado em dados coletados em tempo real pela OMS para estimar a evolução da epidemia.

 

Segundo os pesquisadores, o cenário mais provável indica que o surto, iniciado na República Democrática do Congo e já registrado também em Uganda, apresenta cerca de 70% de risco de alcançar o Sudão do Sul. As chances de disseminação para outros países, como Ruanda e Burundi, são consideradas significativamente menores.

 

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A epidemia é causada pela variante Bundibugyo do vírus ebola, para a qual ainda não existe vacina disponível. Para projetar a evolução da doença, os cientistas elaboraram diferentes cenários, levando em consideração fatores como a velocidade de transmissão do vírus e a capacidade de resposta dos sistemas de saúde.

 

De acordo com a análise, a epidemia está seguindo uma trajetória próxima ao cenário considerado mais provável pelos pesquisadores. Até o fim de junho, a estimativa era de aproximadamente mil casos confirmados, número que se mostrou compatível com os dados oficiais divulgados pelas autoridades de saúde.

 

Os registros apontam que a República Democrática do Congo já contabiliza mais de mil casos confirmados e centenas de mortes, enquanto Uganda também confirmou infecções relacionadas ao mesmo surto.

 

O estudo estima que o primeiro caso tenha ocorrido por volta de 1º de abril, o que significa que o vírus circulou silenciosamente por várias semanas antes da identificação oficial. Esse período sem detecção é apontado como um dos principais fatores que favoreceram a propagação da doença.

 

Caso a evolução prevista se confirme, o número de casos poderá chegar a cerca de 8.200 até meados de setembro, com aproximadamente 1.440 mortes e taxa de letalidade estimada em 17,6%.

 

Apesar dos resultados, especialistas reforçam que as projeções devem ser interpretadas com cautela. Para o epidemiologista Claude Muvunyi, dos Centros de Controle e Prevenção de Doenças da África (Africa CDC), modelos matemáticos são importantes para orientar ações de resposta, mas podem sofrer alterações à medida que novas medidas de contenção forem implementadas.

 

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Diante do cenário, os pesquisadores recomendam o fortalecimento da vigilância epidemiológica, principalmente nas regiões de fronteira, além da ampliação da capacidade de diagnóstico, do rastreamento de contatos e da coordenação entre os países mais vulneráveis ao avanço da doença. Segundo o estudo, essas ações são essenciais para reduzir o risco de transmissão silenciosa e conter a expansão da epidemia. 

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