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Estudo pioneiro sugere que primatas também podem desenvolver imaginação
Foto: Divulgação

Experimentos com o bonobo Kanzi indicam capacidade de distinguir entre situações reais e encenadas.

Uma pesquisa inédita conduzida por cientistas com participação brasileira aponta que a imaginação pode não ser uma característica exclusivamente humana. O estudo, publicado na revista científica Science, apresenta evidências de que primatas são capazes de compreender situações de faz-de-conta, habilidade considerada por décadas um marco do desenvolvimento infantil humano.

 

A investigação buscou responder a uma pergunta central: seria possível que um macaco “fingisse” que algo é real sabendo que não é? Para testar essa hipótese, os pesquisadores adaptaram métodos tradicionais da psicologia infantil e os aplicaram a Kanzi, um bonobo criado em cativeiro e reconhecido por sua notável capacidade de comunicação com humanos.

 

Kanzi ficou conhecido por utilizar símbolos gráficos para se expressar e por combinar sinais para criar novos significados — um comportamento raro até mesmo entre grandes primatas. O trabalho foi realizado por cientistas da Universidade Johns Hopkins e da Universidade de St. Andrews.

 

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Um dos testes mais marcantes do estudo ficou conhecido como “festa do suco”. Diante do bonobo, os pesquisadores simulavam servir suco em dois copos e, em seguida, fingiam esvaziar apenas um deles. Quando questionado sobre qual copo preferia, Kanzi escolheu, em 68% das tentativas, aquele que supostamente ainda continha a bebida imaginária.

 

Para garantir que o animal não estivesse confuso entre realidade e encenação, o experimento foi repetido com suco verdadeiro. Nessa fase, Kanzi escolheu corretamente o copo com líquido real em cerca de 80% das vezes, sugerindo que ele conseguia distinguir entre o que era real e o que era apenas simulado.

 

Testes semelhantes foram realizados com uvas artificiais colocadas em recipientes vazios. Mesmo sem alimento real, o bonobo frequentemente escolhia o pote onde os cientistas fingiam ter colocado a fruta.


Para os autores, os resultados indicam que as bases da imaginação podem ter surgido antes do aparecimento dos humanos. Ainda assim, os próprios pesquisadores destacam limitações importantes: Kanzi cresceu em contato intenso com pessoas, o que levanta dúvidas sobre se a habilidade estaria presente em outros bonobos em ambientes naturais.

 

O psicólogo comparativo Michael Tomasello, da Universidade Duke, que não participou do estudo, aponta que ainda existe diferença entre reagir corretamente a uma encenação e iniciar espontaneamente um comportamento imaginativo. Segundo ele, seria mais convincente observar primatas criando situações de faz-de-conta por conta própria.

 

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Kanzi morreu no ano passado, aos 44 anos, poucos meses após a conclusão da pesquisa. Mesmo assim, seu papel na ciência continua relevante, abrindo novas discussões sobre a origem da imaginação e a proximidade cognitiva entre humanos e outros primatas. 

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