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Estudo revela que diferentes transtornos mentais podem compartilhar a mesma origem genética
Foto: Divulgação

Os hormônios sexuais estrogênio, progesterona e testosterona, produzidos por homens e mulheres, são conhecidos reguladores de comportamento, humor e estresse

Um amplo estudo internacional com dados psiquiátricos e genéticos indica que diferentes transtornos mentais podem ter origens biológicas semelhantes, o que pode transformar a forma como essas condições são diagnosticadas e tratadas. A pesquisa, publicada na revista Nature, sugere que muitas doenças psiquiátricas hoje tratadas como distintas compartilham genes em comum e talvez não precisem de abordagens terapêuticas separadas.

 

O trabalho reforça a ideia de que a psiquiatria pode se beneficiar ao ir além da análise exclusiva do comportamento dos pacientes, incorporando de maneira mais profunda a biologia das doenças mentais. Essa mudança de perspectiva pode reduzir a fragmentação de diagnósticos e evitar que pacientes recebam múltiplos rótulos clínicos e diferentes medicamentos para condições que, na prática, têm a mesma base.

 

O estudo analisou registros de mais de 1 milhão de pessoas diagnosticadas com um entre 14 transtornos psiquiátricos, além de dados de cerca de 5 milhões de indivíduos sem diagnóstico. A equipe de pesquisadores levou cinco anos para cruzar informações clínicas e genéticas, identificando padrões comuns entre as condições avaliadas.

 

 

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Os resultados mostram que os transtornos se organizam em cinco grandes grupos genéticos: uso de substâncias; transtornos internalizantes, como depressão, ansiedade e estresse pós-traumático; condições do neurodesenvolvimento, como autismo e TDAH; transtornos compulsivos, como anorexia nervosa, síndrome de Tourette e transtorno obsessivo-compulsivo; e um grupo que inclui transtorno bipolar e esquizofrenia. Segundo os cientistas, bipolaridade e esquizofrenia compartilham cerca de 70% dos mesmos determinantes genéticos.

 

Essas semelhanças ajudam a explicar por que alguns medicamentos, como antidepressivos, podem ser eficazes em mais de um transtorno, mesmo quando os diagnósticos são diferentes. Os pesquisadores identificaram 238 variantes genéticas associadas aos 14 transtornos analisados, muitas delas relacionadas ao funcionamento de áreas específicas do cérebro.

 

Um dos achados mais relevantes foi a identificação de um “ponto crítico” no cromossomo 11, região ligada ao aumento do risco genético para oito dos transtornos estudados. Nesse local está o gene DRD2, alvo principal de medicamentos antipsicóticos e responsável pela regulação da dopamina, neurotransmissor essencial para funções como humor, motivação, atenção e cognição.

 

Os autores ressaltam que, embora os genes tenham papel importante, os transtornos psiquiátricos resultam da interação entre fatores genéticos, ambiente, experiências de vida e estresse. Eles também reconhecem limitações do estudo, como a predominância de dados genéticos de pessoas de ascendência europeia, e defendem a ampliação da diversidade nas pesquisas futuras.

 

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Especialistas avaliam que o estudo pode influenciar debates sobre futuras revisões do Manual Diagnóstico e Estatístico de Transtornos Mentais (DSM). Para alguns, os resultados representam um passo decisivo rumo a uma psiquiatria mais precisa e personalizada. Para outros, ainda não há aplicações práticas imediatas, especialmente para pacientes fora de grandes centros de pesquisa. Ainda assim, o consenso é de que os achados reforçam a necessidade de repensar as fronteiras tradicionais entre os transtornos mentais. 

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