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EUA e Irã intensificam ataques em disputa pelo Estreito de Ormuz
Foto: Reprodução/ Marine Traffic

Mapa registra movimentação no Estreito de Ormuz, no início deste ano

Estados Unidos e Irã voltaram a trocar ataques nesta quinta-feira (9), pelo segundo dia consecutivo, em meio à escalada da tensão no Estreito de Ormuz, uma das principais rotas marítimas para o transporte mundial de petróleo e gás natural liquefeito.

 

O governo iraniano reafirmou que pretende estabelecer regras próprias para a navegação na região. Segundo o principal negociador de Teerã, Mohammad Bagher Ghalibaf, o estreito só será totalmente aberto sob "disposições iranianas". Já os Estados Unidos defendem a livre circulação de embarcações, sem cobrança de tarifas ou pedágios.

 

Segundo as Forças Armadas americanas, foram realizados bombardeios contra 90 alvos militares iranianos, entre eles sistemas de defesa aérea, depósitos de mísseis e bases de drones. Washington afirma que a operação teve como objetivo reduzir a capacidade do Irã de ameaçar a navegação no Estreito de Ormuz.

 

De acordo com o Ministério da Saúde do Irã, os ataques deixaram 14 mortos e 78 feridos, sendo 47 hospitalizados. 

 

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Em resposta, a Guarda Revolucionária informou ter atacado bases militares dos Estados Unidos no Bahrein e no Kuwait. O Exército iraniano também reivindicou ofensivas contra alvos militares no Catar, Kuwait e Bahrein.

 

A imprensa estatal iraniana afirmou que drones atingiram um sistema antimísseis Patriot no Kuwait, um sistema de alerta antecipado no Catar e tanques de combustível no Bahrein. Além disso, veículos de comunicação do país relataram que bombardeios americanos danificaram uma ponte ferroviária no nordeste do Irã, interrompendo a circulação de trens entre Teerã e Mashhad.

 

O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump afirmou que os bombardeios foram uma resposta aos ataques iranianos contra navios comerciais.

 

"Isto é uma retaliação pelo bombardeio de navios de ontem por parte do Irã. Se voltar a acontecer, será muito pior."

 

Apesar do tom duro, Trump declarou posteriormente que representantes iranianos procuraram Washington para discutir um possível acordo, sem divulgar detalhes das conversas.

 

Desde o início do conflito, desencadeado após ataques israelenses e americanos em 28 de fevereiro, o Irã passou a defender maior controle sobre a navegação no Estreito de Ormuz, incluindo a cobrança de pedágios e restrições à passagem de embarcações. Teerã também afirmou que navios que desrespeitarem as regras poderão ser alvo de ações militares.

 

Diante da escalada, o secretário-geral da Organização das Nações Unidas, António Guterres, pediu a redução imediata das tensões e a retomada das negociações diplomáticas.

 

O governo iraniano informou ainda que o ministro das Relações Exteriores, Abbas Araghchi, conversou por telefone com o primeiro-ministro do Catar, Mohamed bin Abdulrahman Al Thani, e ambos defenderam uma solução diplomática para a crise.

 

Enquanto isso, Omã, que atua como mediador entre Washington e Teerã, condenou os ataques contra navios e países do Golfo, mas evitou atribuir responsabilidade direta ao Irã.

 

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Segundo a Organização Marítima Internacional, cerca de 6 mil marinheiros permanecem retidos na região devido aos confrontos e às restrições impostas à navegação. 

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