Iniciativa do Departamento de Estado busca informações sobre instalações, equipamentos e pessoas ligadas às atividades atômicas do Irã, em meio à escalada das tensões entre Washington e Teerã.
Os Estados Unidos anunciaram uma recompensa de até US$ 20 milhões por informações que ajudem a identificar e esclarecer atividades relacionadas ao programa nuclear do Irã. A iniciativa, divulgada nesta sexta-feira (6) pela organização Rewards for Justice, vinculada ao Departamento de Estado norte-americano, também prevê a possibilidade de transferência dos informantes para um local seguro, caso seja necessário.
A campanha busca informações sobre instalações nucleares, equipamentos, cientistas e outras pessoas envolvidas nas atividades atômicas iranianas. Também são considerados dados sobre a movimentação de materiais e indivíduos relacionados ao programa.
A oferta ocorre em meio ao conflito entre Estados Unidos, Israel e Irã, iniciado em 28 de fevereiro de 2026. Washington tenta impedir que o governo iraniano avance no desenvolvimento de armas nucleares, tema que há anos provoca tensões diplomáticas e disputas entre os países.
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O programa nuclear de Teerã foi um dos principais argumentos apresentados pelos governos norte-americano e israelense para justificar a ofensiva militar contra o território iraniano.
Em 2025, a Agência Internacional de Energia Atômica (AIEA) informou que o Irã havia alcançado um nível de enriquecimento de urânio de 60%. O percentual está próximo dos aproximadamente 90% geralmente necessários para produzir urânio de grau militar.
De acordo com informações divulgadas pela Rewards for Justice, especialistas avaliam que, caso o material acumulado fosse enriquecido a níveis ainda maiores, a quantidade disponível poderia ser suficiente para a fabricação de várias armas nucleares.
O Irã é o único país que não possui armas nucleares reconhecidas internacionalmente a produzir urânio com esse nível de enriquecimento. Apesar da preocupação provocada pelo avanço tecnológico, alcançar 60% de pureza não significa, por si só, que o país tenha uma bomba atômica pronta.
Outro ponto de atenção envolve a fiscalização internacional. A AIEA perdeu a continuidade do conhecimento sobre parte da produção e dos estoques iranianos de componentes nucleares, incluindo centrífugas, após o descumprimento de obrigações de salvaguardas por Teerã.
Essa situação dificulta o acompanhamento das atividades nucleares e impede que os inspetores tenham informações completas sobre a quantidade e a localização de determinados materiais e equipamentos.
OFENSIVA MILITAR AMPLIOU CONFLITO NO ORIENTE MÉDIO
Em 28 de fevereiro de 2026, Estados Unidos e Israel iniciaram uma operação militar contra o Irã. Os ataques atingiram instalações militares, estruturas relacionadas ao programa nuclear e integrantes da liderança política e militar iraniana.
Teerã respondeu com lançamentos de mísseis e drones contra Israel e alvos em países do Oriente Médio que abrigam bases norte-americanas.
A ofensiva também provocou mudanças na liderança iraniana. O então líder supremo Ali Khamenei morreu durante os ataques, e seu filho, Mojtaba Khamenei, assumiu posteriormente o posto. Apesar das perdas militares e políticas, o regime iraniano permaneceu no poder.
Os confrontos tiveram consequências para outros países da região, com ataques a infraestruturas e ameaças à navegação no Estreito de Ormuz, uma das principais rotas internacionais para o transporte de petróleo.
A instabilidade também elevou as preocupações com o abastecimento energético mundial e pressionou os preços dos combustíveis.
CESSAR-FOGO NÃO ENCERROU IMPASSE ENTRE OS PAÍSES
Depois de meses de confrontos, Estados Unidos e Irã chegaram a um cessar-fogo em abril e assinaram, em junho, um memorando de entendimento com o objetivo de avançar nas negociações para encerrar a guerra.
O entendimento, porém, não se sustentou, e as hostilidades foram retomadas nos meses seguintes.
Em novembro, os dois países voltaram a discutir possíveis caminhos para um acordo, com o Catar atuando como intermediário. Entre os principais pontos das conversas estão o futuro do programa nuclear iraniano e as condições para interromper os ataques.
O governo de Teerã exige, entre outras medidas, o levantamento de sanções econômicas, a liberação de ativos iranianos congelados, o fim do bloqueio norte-americano a portos do país e compensações pelos prejuízos provocados pela guerra.
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Washington, por sua vez, mantém a exigência de que o programa nuclear iraniano seja parte central de qualquer entendimento. Nesse cenário, a oferta de recompensa por informações representa mais uma iniciativa norte-americana para ampliar o conhecimento sobre as atividades atômicas do Irã.