Avanço da energia solar e eólica consolida transição energética da União Europeia em meio a tensões geopolíticas e crise climática.
A União Europeia alcançou um marco histórico em 2025 ao produzir, pela primeira vez, mais energia a partir de fontes limpas do que de combustíveis fósseis. Enquanto os Estados Unidos, sob o discurso de segurança energética do presidente Donald Trump, reforçam a exploração de petróleo e gás, o bloco europeu segue na direção oposta, acelerando a transição para uma matriz energética mais sustentável.
De acordo com o relatório European Electricity Review, elaborado pela Ember, think tank especializada em energia, as fontes eólica e solar responderam por 30% da eletricidade gerada na União Europeia em 2025. Já a produção baseada em carvão, gás natural e outros combustíveis fósseis ficou em 29%, marcando uma virada inédita no setor energético do continente.
O avanço das fontes renováveis ocorre em um momento crítico para o planeta. As emissões de dióxido de carbono oriundas da queima de combustíveis fósseis são apontadas pela comunidade científica como principais responsáveis pelo aquecimento global e pelas mudanças climáticas. Dez anos após a assinatura do Acordo de Paris, essas emissões globais ainda caminham para níveis recordes.
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“Trata-se de um marco histórico que mostra como a União Europeia está avançando rapidamente rumo a um sistema energético baseado em fontes renováveis”, afirmou Beatrice Petrovich, autora principal do estudo. Segundo ela, a crescente instabilidade geopolítica associada aos combustíveis fósseis torna ainda mais evidente a vantagem econômica e estratégica da transição energética.
O crescimento da participação das energias renováveis na matriz europeia foi impulsionado, sobretudo, pela energia solar. Em 2025, a geração fotovoltaica cresceu 20,1%, quarto ano consecutivo com expansão acima de 20%. A energia solar atingiu um recorde histórico, representando 13% de toda a eletricidade produzida no bloco percentual superior ao registrado tanto pelo carvão quanto pelas hidrelétricas.
Hungria, Chipre, Grécia, Espanha e Holanda se destacaram como líderes na produção solar, com mais de 20% da eletricidade nacional proveniente dessa fonte. Apesar dos avanços, a Europa ainda mantém forte dependência de combustíveis fósseis, diferentemente do Brasil, que possui uma das matrizes energéticas mais limpas do mundo. Em 2025, 48% da eletricidade gerada na União Europeia veio de fontes renováveis.
Em 14 dos 27 países-membros, a geração de energia solar e eólica já supera a produção baseada em combustíveis fósseis, uma mudança que a Ember classifica como estrutural e irreversível.
Os números, porém, poderiam ter sido ainda mais expressivos não fossem as condições climáticas extremas enfrentadas em 2025, considerado o terceiro ano mais quente já registrado. As altas temperaturas e os períodos prolongados de seca favoreceram a geração solar, mas prejudicaram a produção eólica, que caiu 2%, e a hidrelétrica, que recuou 12%.
Para compensar essas perdas, a União Europeia recorreu mais intensamente ao gás natural, cuja geração aumentou 8% no ano. O custo estimado dessa opção foi de € 32 bilhões (cerca de R$ 194 bilhões), a maior conta de importação do bloco desde 2022, quando a invasão da Ucrânia desencadeou uma crise energética e acelerou o afastamento do gás russo.
No mês passado, a UE anunciou que pretende abandonar completamente o gás russo até 2027. Segundo especialistas, a diversificação da matriz energética, motivada por questões geopolíticas, foi fundamental para impulsionar o crescimento das fontes renováveis.
“O gás não apenas torna a União Europeia mais vulnerável à chantagem energética, como também é mais caro”, avaliou Petrovich. Ela aposta no avanço do uso de baterias para reduzir a dependência do gás, ainda essencial durante o período noturno. “Já vemos sinais iniciais dessa mudança. À medida que essa tendência se intensificar, os preços da energia devem se tornar mais estáveis”, afirmou.
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Em 2025, Itália e Alemanha concentraram a maior parte dos custos com importação de gás. Na Alemanha, que enfrenta estagnação econômica há três anos, a volatilidade dos preços da energia ganhou destaque no debate eleitoral, ao lado de temas tradicionalmente sensíveis como imigração e segurança nacional.