Na sexta, os Estados Unidos anunciaram que vão retirar 5 mil soldados da Alemanha, em meio a atritos entre Donald Trump e o chanceler alemão, Friedrich Merz
Os europeus precisam assumir maior responsabilidade por sua própria segurança, disse neste sábado (2) o ministro da Defesa da Alemanha, Boris Pistorius, em resposta ao anúncio de planos dos EUA de retirar 5 mil soldados do país europeu.
“Os europeus precisam assumir mais responsabilidade por sua própria segurança”, disse Pistorius, acrescentando que “a Alemanha está no caminho certo” ao expandir suas Forças Armadas, acelerar compras militares e investir em infraestrutura.
"Era previsível que os EUA retirassem tropas da Europa, incluindo da Alemanha", disse ele
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Pistorius afirmou ainda que a retirada parcial afetará um contingente atual de quase 40 mil soldados americanos que estão alocados na Alemanha. Outras estimativas apontam cerca de 35 mil militares da ativa no país.
A Alemanha pretende aumentar o número de soldados da ativa das suas forças armadas, a Bundeswehr, dos atuais 185 mil para 260 mil, embora críticos do ministro defendam um número ainda maior diante da percepção de ameaça crescente da Rússia.
Os países da Otan se comprometeram a assumir mais responsabilidade por sua própria defesa, mas, com orçamentos apertados e grandes lacunas de capacidade militar, levará anos para que a região consiga suprir suas necessidades de segurança.
A Otan afirmou neste sábado (2) estar trabalhando com os Estados Unidos para entender os detalhes da decisão americana de reduzir o contingente de tropas na Alemanha, segundo a porta-voz da aliança, Allison Hart.
"Estamos trabalhando com os EUA para entender os detalhes da decisão sobre a presença de forças na Alemanha. Esse ajuste ressalta a necessidade de a Europa continuar investindo mais em defesa e assumir uma parcela maior da responsabilidade por nossa segurança compartilhada — algo em que já vemos progresso desde que os aliados concordaram em investir 5% do PIB na cúpula da OTAN em Haia no ano passado", escreveu Hart no X.
"Continuamos confiantes em nossa capacidade de garantir a dissuasão e a defesa à medida que esse movimento em direção a uma Europa mais forte dentro de uma OTAN mais forte avança", acrescentou.
BATALHÃO DE ATAQUE DE LONGO ALCANCE CANCELADO
A presença militar dos EUA na Alemanha, que começou como força de ocupação após a Segunda Guerra Mundial, atingiu o auge nos anos 1960, quando centenas de milhares de militares americanos estavam no país para conter a União Soviética durante a Guerra Fria.
Essa presença inclui a grande base aérea de Ramstein e o hospital de Landstuhl, ambos usados pelos EUA para apoiar a guerra no Irã, além de conflitos anteriores no Iraque e no Afeganistão.
A decisão do Pentágono significa que uma brigada completa deixará a Alemanha e que um batalhão de ataque de longo alcance, previsto para ser enviado ainda este ano, será cancelado.
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A perda dessa capacidade de longo alcance será um golpe especialmente duro para Berlim, já que ela seria um importante elemento adicional de dissuasão contra a Rússia enquanto os europeus desenvolvem seus próprios mísseis desse tipo.