Ministério Público acusa ex-magistrado de compartilhar senhas, facilitar contato de presos com o exterior e favorecer terceiros dentro de presídio.
O ex-juiz substituto de Rondônia Robson José dos Santos, conhecido nacionalmente pela trajetória de superação que o levou de vendedor de pipoca e gari à magistratura, foi denunciado pelo Ministério Público de Rondônia (MPRO) pelos crimes de violação de sigilo funcional, prevaricação imprópria e abuso de autoridade.
A denúncia foi encaminhada ao Tribunal de Justiça de Rondônia (TJRO), que irá analisar se existem elementos suficientes para receber a acusação e dar início a uma ação penal contra o ex-magistrado.
Segundo o Ministério Público, os supostos crimes ocorreram entre 2023 e 2024, período em que Robson ainda exercia a função de juiz substituto no estado.
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De acordo com a investigação, o então magistrado teria determinado que servidoras de seu gabinete entregassem as senhas institucionais, de uso pessoal e intransferível, para uma pessoa sem qualquer vínculo com o Poder Judiciário. A medida teria permitido o acesso indevido a sistemas internos do Tribunal de Justiça e a processos protegidos por segredo de Justiça, fundamentando a acusação de violação de sigilo funcional.
Outro episódio citado na denúncia envolve visitas realizadas a uma unidade prisional. Conforme o MP, Robson teria emprestado o próprio telefone celular para que detentos realizassem ligações e ainda autorizado o uso do aparelho de uma servidora para novas chamadas. A conduta foi enquadrada como prevaricação imprópria.
A terceira acusação diz respeito a um suposto abuso de autoridade. Segundo os promotores, o ex-juiz teria exigido que policiais penais permitissem a entrada de uma pessoa sem vínculo com o sistema prisional para prestar atendimento a detentos, decisão que, conforme a denúncia, não possuía respaldo legal e teria beneficiado indevidamente um terceiro.
Agora, caberá ao Tribunal de Justiça decidir se aceita ou não a denúncia. Antes dessa análise, Robson José dos Santos será notificado para apresentar sua defesa.
A denúncia criminal ocorre meses após o ex-magistrado perder definitivamente o cargo. Durante o estágio probatório, o TJRO negou sua vitaliciedade ao concluir que diversas condutas eram incompatíveis com o exercício da magistratura.
Entre os fatos analisados administrativamente estavam o compartilhamento de senhas institucionais, o empréstimo de celulares a presos, interferências na rotina de unidades prisionais, autorização para entrada de terceiros em áreas restritas e relatos de tratamento desrespeitoso a servidores, advogados e estagiários.
Robson ganhou notoriedade em todo o país pela história de superação. Natural da periferia do Recife, trabalhou como vendedor de pipoca, picolé e gari antes de ingressar na carreira da magistratura, após prestar dezenas de concursos públicos.
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Durante o processo administrativo, a defesa alegou que o ex-juiz foi alvo de racismo estrutural e recebeu tratamento desproporcional. A tese foi apresentada ao Conselho Nacional de Justiça (CNJ), mas o Tribunal de Justiça de Rondônia afirmou que a perda do cargo ocorreu exclusivamente em razão das irregularidades apuradas, negando qualquer motivação discriminatória.