O ex-presidente do Paraguai, Santiago Peña, foi transferido para uma unidade militar na madrugada deste sábado (7), após manifestantes entrarem em confronto com policiais em frente à residência onde ele cumpria prisão domiciliar, em Assunção. A mudança de local foi motivada por questões de segurança, segundo informações divulgadas pelo jornal paraguaio ABC Color.
Peña foi levado ao Regimento de Escolta Presidencial, unidade das Forças Armadas responsável pela proteção do presidente, de ex-chefes de Estado e de outras autoridades. Durante a transferência, realizada por um comboio de pelo menos quatro caminhonetes, manifestantes atiraram ovos contra os veículos e gritaram insultos direcionados ao ex-presidente.
O protesto ocorreu porque os manifestantes exigiam que Peña fosse encaminhado a uma unidade prisional em regime fechado, em vez de permanecer em prisão domiciliar. A mobilização terminou em confronto com os policiais responsáveis pela segurança do imóvel. Um comissário ficou ferido durante os tumultos, e as autoridades levantaram a possibilidade de participação de infiltrados entre os manifestantes.
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A prisão domiciliar foi determinada após a aprovação do impeachment de Peña pelo Senado, em meio às investigações sobre suspeitas de irregularidades envolvendo o Ueno Bank. O ex-presidente é questionado por sua antiga ligação empresarial com o Grupo Vázquez, controlador da instituição financeira, que enfrentou uma crise de solvência e passou por intervenção do Banco Central paraguaio. Peña foi acionista de empresas do grupo até março de 2025 e nega qualquer irregularidade.
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O Senado aprovou o afastamento de Peña por 44 votos favoráveis e uma abstenção, mesmo após o anúncio de sua renúncia ao cargo. Com a destituição, o então vice-presidente Pedro Alliana assumiu a Presidência e deverá concluir o mandato até 2028. O Ministério Público continua analisando as suspeitas envolvendo o ex-presidente, entre elas possíveis crimes de abuso de confiança e tráfico de influência.