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Ex-sócio afirma à Polícia Federal que Vorcaro conhecia operações de consignado do Banco Master
Foto: Divulgação

Augusto Lima contestou a versão do ex-banqueiro e disse que mensagens do inquérito indicariam participação dele nas decisões envolvendo carteiras de crédito

O empresário Augusto Lima, ex-sócio do Banco Master, afirmou à Polícia Federal que Daniel Vorcaro tinha pleno conhecimento das operações de crédito consignado realizadas pela instituição financeira. A declaração foi dada em depoimento no dia 15 de outubro e contestou a versão apresentada anteriormente pelo ex-banqueiro sobre sua participação nesse segmento.

 

Durante o depoimento, Lima negou que fosse o único responsável pelas operações de consignado. Segundo ele, o banco utilizou esse modelo de crédito como uma importante fonte de receita durante anos, o que tornaria incompatível a alegação de que Vorcaro desconhecia os detalhes do negócio.

 

O ex-sócio também mencionou informações que, segundo sua interpretação, constam no inquérito policial. Ele afirmou que mensagens atribuídas a Vorcaro indicariam orientações sobre a forma de registrar e negociar determinadas carteiras de crédito, o que, na avaliação de Lima, demonstraria conhecimento sobre as operações.

 

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Em depoimento anterior, Vorcaro havia declarado que conhecia os aspectos gerais do crédito consignado, mas não acompanhava os detalhes. Segundo ele, uma equipe formada por profissionais trazidos por Augusto Lima era responsável pela originação desses empréstimos dentro do banco.

 

Um dos principais produtos desse segmento era o Credcesta, modalidade criada na Bahia em 2018 com participação de Lima. O serviço funcionava como uma espécie de cartão de crédito consignado, com descontos diretamente na remuneração de servidores públicos. Posteriormente, a operação se expandiu para outros estados brasileiros.

 

O modelo de negócios permitia ao Banco Master obter receitas com os juros cobrados e com a negociação das carteiras de crédito com outras instituições financeiras e fundos de investimento. Essa estratégia contribuiu para a expansão das operações de consignado da instituição.

 

O Credcesta também passou a enfrentar questionamentos judiciais. Entre as reclamações estão alegações de cobrança de juros abusivos e descontos em folhas de pagamento de servidores que afirmam não ter contratado os empréstimos. As contestações são objeto de processos judiciais e não significam, por si só, que todas as acusações tenham sido comprovadas.

 

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As declarações de Augusto Lima fazem parte das apurações sobre as atividades do Banco Master e a atuação de seus antigos dirigentes. A divergência entre os depoimentos deverá ser analisada pelos investigadores no contexto das demais provas reunidas. As afirmações do ex-sócio, isoladamente, não estabelecem a responsabilidade criminal de Vorcaro.

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