As graves denúncias precisam ser investigadas e o espaço está aberto aos citados
Da Redação do “PORTAL DO ZACARIAS” — O “PORTAL DO ZACARIAS” recebeu, com exclusividade, uma extensa carta que apresenta a versão de internos sobre a rebelião registrada na tarde de terça-feira (1º) na nova Unidade Prisional da Polícia Militar do Amazonas (UPPM/AM), localizada no quilômetro 8 da BR-174, Zona Rural de Manaus ? dentro do COMPAJ (Complexo Penitenciário Anísio Jobim)?
O documento contém acusações graves envolvendo a administração da unidade, integrantes das forças policiais que participaram da intervenção e as condições às quais os presos teriam sido submetidos após o controle da ocorrência.
É importante deixar claro desde o início: o conteúdo da carta representa a versão apresentada pelos internos e as acusações ainda precisam ser apuradas pelas autoridades competentes.
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Foto de satélite, aonde mostra que a UPPM está localizada
dentro do Complexo Pentitenciário Anísio Jobim,
separada apenas por um muro.
O Portal não teve acesso, até o momento, às imagens do circuito interno mencionadas no documento nem a outros elementos capazes de confirmar de forma independente todos os acontecimentos narrados.
Mas, pela gravidade das denúncias, elas precisam ser tornadas públicas, investigadas e respondidas.
TUDO TERIA COMEÇADO COM UM XINGAMENTO ESCRITO EM UM PAPEL
Segundo a carta, a confusão teria começado depois que um interno não identificado escreveu ofensas contra um major que ocupa função de direção na UPPM e que seria conhecido pelos presos pelo apelido de “major gago”.
A direção teria determinado que os internos identificassem, até as 13h, o responsável pelas palavras.
Como ninguém teria apontado o autor, ainda segundo o relato, os internos foram comunicados de mudanças nas visitas e da suspensão de escoltas médicas.
É justamente neste ponto que, conforme a carta, a situação saiu do controle.
INTERNOS COM PROBLEMAS PSIQUIÁTRICOS TERIAM REAGIDO
O documento afirma que internos descritos como “laudados”, incluindo policiais com problemas psiquiátricos, ficaram revoltados ao receber a informação de que as escoltas para atendimento e perícia médica estariam suspensas.
Eles teriam tentado falar diretamente com a direção.
Durante a movimentação entre as grades de segurança, um dos acessos teria sido fechado por um dos agentes penitenciário do Compaj, deixando o major Orlando, o aspirante Paulo e dois soldados no mesmo espaço que os internos.
A partir daí, segundo os autores da carta, começou o quebra-quebra.
Colchões teriam sido utilizados como barreiras diante da possibilidade de uma intervenção com munições de impacto controlado.
CARTA FALA EM MAIS DE DEZ TESOURAS ESCONDIDAS
Um dos pontos mais graves do documento é a alegação de que, durante a confusão, teriam sido encontradas na lavanderia mais de dez tesouras de grande porte escondidas em roupas destinadas a presos comuns.
A carta levanta a suspeita de que os objetos teriam sido colocados nas roupas por funcionários de uma empresa terceirizada e teriam como destino presos do Complexo Penitenciário Anísio Jobim (Compaj), que serviriam de arma letal para atentar contra a vida dos Policiais e ex-policiais da UPPM.
Essa acusação é extremamente séria e não deve ser tratada como fato comprovado sem investigação.
Segundo o relato recebido pelo Portal, as tesouras teriam sido registradas pelas câmeras da UPPM, mostrada ao defensor público Maurílio Casa Maia e posteriormente entregues aos negociadores e também na presença do tenente-coronel Nilzomar .
Se as imagens mencionadas realmente existem, sua preservação e análise podem ser fundamentais para esclarecer quem colocou os objetos nas roupas, quando isso ocorreu e qual seria seu destino.
DEFENSORIA TERIA ACOMPANHADO NEGOCIAÇÃO
A carta afirma ainda que representantes da Defensoria Pública, entre eles o defensor Maurilio Casas Maia, acompanharam parte das negociações.
De acordo com a versão dos internos, as pessoas inicialmente tratadas como possíveis reféns não sofreram nenhum tipo de agressão física por parte dos internos da UPPM, porém, durante a intervensão do COE, foram possivelmente atingidos por balas de borracha.
O documento relata que teriam sido escritas mensagens destinadas a familiares dos supostos reféns, com a informação de que estavam bem.
Esse é outro ponto que pode ser confrontado com documentos, registros oficiais e depoimentos de quem esteve presente.
INTERNOS DENUNCIAM SUPOSTAS TORTURAS
Durante as negociações, conforme a carta, internos teriam denunciado supostos episódios de violência física e psicológica atribuídos à administração da unidade.
Também teriam reivindicado uma mudança na direção da UPPM e indicado o nome de um capitão que, segundo eles, manteria disciplina rígida, porém tratamento considerado mais adequado aos policiais militares presos.
A carta afirma que teria ocorrido uma sinalização de acordo durante a madrugada e que, por volta das 2h, os internos decidiram encerrar o movimento.
É justamente o que teria acontecido depois que provoca a acusação mais grave do documento.
CARTA ACUSA FORÇA DE INTERVENÇÃO DE USO EXCESSIVO DA FORÇA
Segundo a versão enviada ao “PORTAL DO ZACARIAS”, após os internos reduzirem a resistência, uma força policial teria entrado na unidade utilizando bombas de efeito moral, spray de pimenta e munições de impacto controlado.
O relato cita nominalmente o tenente-coronel Nilzomar Barbosa Filho e atribui a integrantes da intervenção supostas agressões contra presos, inclusive internos que, segundo a carta, não teriam participado da rebelião.
Mais uma vez: são acusações contidas na carta e precisam ser submetidas a investigação, contraditório e manifestação dos policiais citados.
RELATO DIZ QUE ATÉ IDOSOS TERIAM SIDO AGREDIDOS
A denúncia afirma que, depois de retomado o controle da unidade, teriam ocorrido novos disparos de munição de impacto controlado e utilização de spray de pimenta nas celas.
Segundo os autores, até internos idosos teriam sido atingidos.
A carta apresenta ainda uma versão segundo a qual integrantes da tropa de choque, teriam se recusado a agredir presos que já não ofereciam resistência, sendo criticados pelo xxx.
As circunstâncias precisam ser esclarecidas por meio das imagens das câmeras, registros operacionais, relatórios da intervenção e depoimentos dos envolvidos.
DENÚNCIA DE PUNIÇÃO COLETIVA APÓS A REBELIÃO
As acusações não terminam com a retomada da UPPM.
De acordo com o documento, após a ocorrência teria sido implantada uma espécie de punição coletiva, descrita pelos internos como semelhante ao RDD (regime disciplinar diferenciado), utilizado a presos de alta periculosidade através de ordem judicial.
Alguns policiais presos estariam, segundo a denúncia, sem colchões, lençóis e sandálias, além de enfrentarem limitações para limpeza das instalações.
O relato também afirma que os internos estariam recebendo aproximadamente duas horas de banho de sol em uma quadra sem sombra adequada.
Ainda segundo a carta, teria sido informado aos presos que as restrições permaneceriam por 30 dias a contar da data do comunicado que ocorreu uma semana após os acontecimentos e poderiam ser prorrogadas.
ATÉ UM APELIDO TERIA AUMENTADO A TENSÃO
Há um episódio inusitado narrado no documento.
Segundo a carta, durante a confusão um interno teria provocado verbalmente o tenente-coronel Nilzomar com referências a um episódio supostamente ocorrido durante treinamento policial e feito comentários depreciativos sobre sua trajetória profissional.
Os autores sustentam que, no dia seguinte, o oficial teria retornado à unidade e feito ameaças aos internos enquanto buscava identificar quem teria criado um apelido contra ele.
Essa versão também necessita de comprovação e manifestação do oficial citado.
AS CÂMERAS PODEM CONTAR A HISTÓRIA
Talvez o trecho mais importante de toda a carta esteja no final.
Os autores afirmam que as câmeras de segurança da UPPM que permaneceram intactas, teriam registrado momentos importantes da ocorrência.
Se isso for confirmado, as gravações podem ser decisivas.
Elas poderão mostrar como começou a movimentação, em que momento as grades foram fechadas, como ocorreu a intervenção, se houve resistência no momento da entrada das equipes e se existiram agressões depois de restabelecido o controle.
Também poderão ajudar a esclarecer a denúncia sobre as tesouras supostamente encontradas entre roupas destinadas a presos.
DENÚNCIAS GRAVES EXIGEM RESPOSTAS
Minha gente, aqui não cabe julgamento antecipado.
Uma rebelião dentro de uma unidade prisional militar é assunto sério. Mas denúncias de tortura, punição coletiva, suspensão de atendimento médico, possível entrada irregular de objetos capazes de serem utilizados como armas para atentar contra a vida dos policiais reclusos e eventual abuso durante uma intervenção policial são igualmente graves.
É exatamente por isso que tudo precisa ser investigado.
O “PORTAL DO ZACARIAS” considera fundamental que sejam preservadas e analisadas as gravações do circuito interno e que sejam ouvidos internos, policiais que estavam na unidade, negociadores, representantes da Defensoria Pública e integrantes das equipes que participaram da intervenção.
O espaço permanece aberto à Polícia Militar do Amazonas, à direção da UPPM, ao tenente-coronel Nilzomar Barbosa Filho, à empresa mencionada na denúncia e aos demais citados para apresentarem suas versões e esclarecimentos.
Porque, diante de duas versões sobre uma ocorrência tão grave, não basta perguntar quem está dizendo a verdade.
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É preciso procurar as provas. E, neste caso, segundo a própria denúncia, boa parte delas pode estar gravada pelas câmeras da UPPM.