O que se come não altera secreções de forma direta; microbiota, hormônios e hidratação pesam muito mais do que qualquer fruta
A ideia de que o abacaxi ou outras frutas conseguem deixar a região íntima mais “doce” ou melhorar o sabor do sêmen circula há anos entre casais e nas redes sociais. Porém, especialistas explicam que não existe comprovação científica de que um alimento específico consiga alterar diretamente e de forma imediata o cheiro ou o gosto dos fluidos corporais.
A alimentação pode ter alguma influência, mas de maneira indireta. O que pesa muito mais nessa equação é o funcionamento geral do organismo, incluindo microbiota, hormônios, hidratação, higiene, consumo de álcool, tabagismo, estresse, sono e os hábitos alimentares como um todo. Dietas desequilibradas, especialmente com excesso de açúcar e carboidratos refinados, podem favorecer alterações no ambiente das mucosas e desequilíbrios da flora vaginal, mas isso não significa que determinado alimento tenha “adoçado” a secreção.
No caso do sêmen, a composição e o pH também são influenciados por fatores gerais do organismo. A hidratação adequada e um estilo de vida saudável têm muito mais importância do que consumir uma fruta específica antes da relação sexual. Por isso, apesar da fama do abacaxi, não existe recomendação médica formal de alimentos capazes de modificar de maneira previsível o cheiro ou o gosto das secreções íntimas.
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Outro ponto importante é que ter cheiro não significa falta de higiene. Secreções vaginais, sêmen e suor possuem características próprias e podem sofrer pequenas mudanças ao longo do ciclo menstrual, após uma relação sexual ou conforme o nível de hidratação. O alerta deve surgir quando há odor forte e persistente acompanhado de sintomas como dor, coceira, ardência, corrimento diferente do habitual ou desconforto durante o sexo, situações que podem indicar infecção, inflamação ou outro desequilíbrio.
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Foto: Reprodução
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Na tentativa de eliminar odores naturais, duchas vaginais, produtos perfumados e receitas caseiras podem acabar causando mais problemas. Essas práticas podem alterar o pH e a microbiota, aumentando o risco de infecções. Para manter a saúde íntima, o mais indicado é apostar em higiene externa adequada, boa hidratação, alimentação equilibrada e acompanhamento médico quando houver alterações. A região íntima não precisa ter cheiro de fruta ou ser completamente sem odor: precisa estar saudável, equilibrada e confortável.