Sociedades médicas denunciam desinformação nas redes e alertam para riscos de diagnósticos e tratamentos sem orientação
Uma onda de desinformação que circula nas redes sociais desde o início de 2025 tem preocupado especialistas em saúde infantil no Brasil. A falsa ideia de uma suposta “epidemia” de micropênis em crianças levou pais a buscarem atendimento médico e até pressionarem por tratamentos hormonais sem necessidade prática considerada perigosa por profissionais da área.
Diante da repercussão, entidades como a Sociedade Brasileira de Urologia (SBU), Sociedade Brasileira de Pediatria (SBP), Sociedade Brasileira de Endocrinologia e Metabologia (SBEM) e a Associação Brasileira de Cirurgia Pediátrica (CIPE) divulgaram uma nota conjunta nesta quarta-feira (25) para desmentir o boato e orientar a população.
Segundo os especialistas, não há qualquer evidência científica que comprove o aumento de casos da condição. O presidente da SBU, Roni Fernandes, foi enfático ao afirmar que não existe uma epidemia e que o que está ocorrendo é a banalização de um diagnóstico complexo.
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De acordo com médicos, o problema ganhou força após a circulação de vídeos na internet que relacionam, sem comprovação, o suposto aumento de casos à exposição a microplásticos, pesticidas e outros chamados “disruptores endócrinos”. Essas informações, além de falsas, têm incentivado práticas perigosas.
AUMENTO DE CONSULTAS E PRESSÃO POR TRATAMENTOS
A coordenadora do departamento de urologia pediátrica da SBU, Veridiana Andrioli, explica que houve crescimento significativo na procura por consultas envolvendo avaliação do tamanho do pênis em crianças.
Em muitos casos, os pais chegam aos consultórios já solicitando o uso de hormônios, baseados em conteúdos vistos online — o que preocupa os especialistas.
Mesmo com tentativas de combate à desinformação, incluindo denúncias de perfis e divulgação de conteúdos científicos, o volume de vídeos com informações falsas continuou crescendo.
O QUE É, DE FATO, O MICROPÊNIS?
Os médicos esclarecem que o micropênis é uma condição rara, definida por critérios técnicos específicos. Trata-se de um órgão com anatomia normal, mas com tamanho abaixo do esperado para a idade, considerando padrões médicos e fatores como etnia.
A condição pode estar ligada a alterações hormonais, genéticas ou cromossômicas, incluindo síndromes como a Síndrome de Klinefelter.
Outro ponto destacado pelos especialistas é que a obesidade infantil pode causar confusão. O acúmulo de gordura na região suprapúbica pode “esconder” parte do órgão, criando a falsa impressão de que ele é menor do que realmente é.
Por isso, a avaliação correta só pode ser feita por profissionais qualificados.
RISCOS DO USO INDEVIDO DE HORMÔNIOS
O uso de testosterona ou outros hormônios em crianças saudáveis, sem indicação médica, pode causar efeitos colaterais sérios, como:
Puberdade precoce
Crescimento de pelos
Interrupção do crescimento
Impactos psicológicos
Além disso, esse tipo de intervenção pode gerar estresse emocional desnecessário na criança.
ORIENTAÇÃO DOS ESPECIALISTAS
O presidente da SBP, Edson Liberal, reforça que qualquer dúvida sobre o desenvolvimento infantil deve ser tratada com acompanhamento médico.
não se deve realizar medições em casa nem iniciar qualquer tipo de tratamento com base em conteúdos de redes sociais.
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A recomendação é clara em caso de suspeita, procure um pediatra ou especialista qualificado. Combater a desinformação é essencial para proteger a saúde física e emocional das crianças.