Justiça converte prisão em flagrante em preventiva e aponta risco à vida de outras pessoas diante de supostos atendimentos irregulares
A Justiça do Rio de Janeiro converteu em prisão preventiva a detenção de Diogo dos Santos Serpa, de 42 anos, acusado de se passar por médico durante atendimentos domiciliares em Nova Iguaçu, na Baixada Fluminense. Ele foi preso em flagrante enquanto atendia uma criança de 10 anos diagnosticada com um tumor cerebral de crescimento rápido.
A decisão foi tomada neste sábado (8), durante audiência de custódia. A juíza Andressa Maria Ramos Raimundo considerou que a liberdade do suspeito poderia representar risco à vida de outras pessoas, diante das acusações de que ele teria realizado atendimentos médicos e prescrito medicamentos sem possuir habilitação profissional.
Segundo a magistrada, a utilização de documentos e identidade de profissionais da área da saúde, associada à realização de consultas e emissão de prescrições, indica uma possível prática reiterada.
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Para a Justiça, a prisão preventiva é necessária para impedir que novos atendimentos irregulares sejam realizados e para proteger a população.
O caso tramita por meio do processo nº 0830458-37.2026.8.19.0038.
SUSPEITO ATENDIA CRIANÇA DESDE 2025
Diogo foi preso na última quinta-feira (6), durante um atendimento domiciliar em Nova Iguaçu. Ele havia sido contratado por uma empresa de home care para prestar assistência à criança.
De acordo com a investigação, o homem teria comparecido diversas vezes à residência da paciente desde outubro de 2025, apresentando-se como o médico responsável pelo acompanhamento.
A polícia afirma que, em pelo menos seis atendimentos, o suspeito teria prescrito medicamentos, solicitado exames e emitido encaminhamentos utilizando a identidade de outro profissional habilitado.
A situação chamou atenção por envolver uma paciente pediátrica com um quadro oncológico considerado de alta complexidade. Segundo os investigadores, prescrições inadequadas poderiam provocar riscos à saúde da criança, incluindo problemas relacionados a doses incorretas ou interações entre medicamentos.
MÃE DESCONFIOU DAS PRESCRIÇÕES
A investigação começou depois que a mãe da criança passou a desconfiar das prescrições apresentadas pelo suposto médico.
Ela consultou o cadastro do Conselho Regional de Medicina (CRM) e percebeu que a fotografia vinculada ao registro utilizado não correspondia ao homem que realizava os atendimentos na residência.
Diante da suspeita, a família procurou a 63ª DP (Japeri). Policiais foram até Nova Iguaçu e encontraram Diogo durante um dos atendimentos.
Segundo a polícia, os agentes chamaram o suspeito pelo nome do médico que aparecia nos documentos apresentados. Ele teria respondido ao chamado e, em seguida, foi detido.
Durante a abordagem, os policiais também encontraram carimbos e receituários em nome de um segundo médico. O material foi apreendido e encaminhado para a delegacia.
POLÍCIA INVESTIGA OUTROS POSSÍVEIS ATENDIMENTOS
Diogo foi autuado em flagrante por suspeitas de exercício ilegal da medicina, uso de documento falso, falsa identidade, estelionato e por expor a vida ou a saúde de outra pessoa a perigo.
A Polícia Civil também pretende investigarse o suspeito apresentou documentos falsos à empresa de home care utilizada para conseguir o trabalho.
Como o homem teria afirmado ser estudante de Medicina, os investigadores devem consultar instituições de ensino para verificar se ele chegou a frequentar algum curso na área.
A polícia trabalha ainda com a possibilidade de que outros pacientes tenham sido atendidos de forma irregular pelo suspeito.
Segundo os investigadores, Diogo já teria sido alvo de apurações anteriores relacionadas a crimes como falsidade ideológica, peculato e furto de medicamentos.
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A investigação continua para identificar a extensão da suposta atuação irregular e verificar se outras pessoas foram expostas a riscos durante os atendimentos.