Criminosos teriam usado uma viatura clonada e revirado escritório de vereador em busca de dinheiro; ninguém ficou ferido
Homens armados que se apresentavam como policiais civis invadiram, na noite de quinta-feira (1º), dois espaços políticos ligados ao deputado federal Cezinha de Madureira (PL) e ao vereador João Jorge (MDB), na Mooca, zona leste de São Paulo.
A primeira ocorrência foi registrada no comitê de Cezinha. Segundo a assessoria do deputado, os homens chegaram ao local vestidos como policiais civis e perguntaram por João Jorge. O vereador, porém, não estava no endereço.
Após deixar o comitê, o grupo teria seguido para o escritório político de João Jorge, localizado na mesma rua, a cerca de três quarteirões de distância. O vereador afirmou que quatro pessoas estavam no imóvel quando os suspeitos chegaram em uma viatura identificada como pertencente à Polícia Civil de Taboão da Serra.
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Segundo o relato de João Jorge, dois homens entraram no escritório enquanto outros dois permaneceram no veículo, que circulava pela região. Armados e usando distintivos, eles teriam perguntado onde estava o dinheiro e revirado o imóvel.
“Como tem uma placa lá com meu nome, o pessoal achou que era comitê de campanha. Um deles estava com o distintivo da polícia. Chegaram armados e perguntando por dinheiro. Reviraram tudo e foram embora”, relatou o vereador.
Ainda segundo João Jorge, os funcionários chegaram a questionar se os homens tinham um mandado judicial. Os suspeitos teriam negado a existência do documento. Diante da dúvida sobre se realmente eram policiais, os funcionários permitiram que eles entrassem e mexessem no local.
A ação teria durado aproximadamente 20 minutos. Os criminosos deixaram o escritório sem levar dinheiro ou outros objetos. Ninguém ficou ferido.
Depois do episódio, integrantes do gabinete de João Jorge entraram em contato com a Polícia Civil e receberam a informação de que os homens não pertenciam à corporação. Imagens das câmeras de segurança foram recolhidas para auxiliar na investigação.
A Polícia Civil de São Paulo já havia emitido um alerta sobre uma viatura clonada da 1ª Delegacia de Polícia de Taboão da Serra que poderia estar sendo utilizada por criminosos em ações semelhantes.
Cezinha de Madureira e João Jorge são integrantes da Assembleia de Deus do Brás (AdBrás) e mantêm uma parceria política. Os dois optaram por não registrar boletim de ocorrência sobre as invasões.
O deputado federal também aparece em outra investigação. Cezinha foi alvo de uma operação da Polícia Federal e é citado, juntamente com João Jorge, em uma apuração do Ministério Público de São Paulo encaminhada ao Supremo Tribunal Federal (STF).
Segundo informações divulgadas pelo Estadão, a investigação apura um suposto esquema envolvendo chamadas “emendas cruzadas”, no qual recursos federais e municipais destinados a diferentes áreas teriam sido articulados entre parlamentares.
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João Jorge nega participação no esquema e afirma que nunca cobrou percentual, vantagem ou contrapartida para destinação de emendas. Os dois são investigados e não possuem condenação relacionada a esses fatos.