Com mudança aprovada pelo Senado, setores como comércio, restaurantes, indústria e turismo se movimentam para negociar escalas e reduzir impactos nos custos operacionais
O fim da escala de trabalho 6x1 já movimenta representantes de diferentes setores da economia brasileira. Após a aprovação da proposta de emenda à Constituição (PEC) pelo Senado Federal, na quarta-feira (14), entidades empresariais começaram a discutir alternativas para reorganizar as jornadas de trabalho e adaptar as empresas às novas regras.
A mudança prevê dois dias de descanso semanal e redução gradual da jornada máxima de 44 para 40 horas, sem diminuição salarial. A proposta ainda depende de promulgação para que o cronograma de implementação comece a valer.
O novo cenário preocupa segmentos que funcionam diariamente, inclusive aos domingos e feriados, como supermercados, shopping centers, bares, restaurantes, hotéis, indústria e serviços de atendimento contínuo. Para esses setores, o desafio será manter o funcionamento dos estabelecimentos sem comprometer a qualidade dos serviços ou elevar excessivamente as despesas.
Veja também
.jpg)
Dólar dispara 1,15% e fecha a R$ 5,09, enquanto Bolsa brasileira cai mais de 1%
Safra brasileira deve superar 367 milhões de toneladas mesmo com riscos do El Niño
EMPRESAS ESTUDAM ALTERNATIVAS PARA REORGANIZAR EQUIPES
Representantes do setor de alimentação defendem a reorganização dos horários dos funcionários, com escalas diferentes conforme o movimento de cada estabelecimento. Uma das possibilidades é distribuir os trabalhadores em turnos distintos, reforçando as equipes nos horários de maior demanda.
Também estão em discussão jornadas reduzidas para parte dos funcionários e a adoção de modelos que permitam manter o atendimento sem concentrar toda a equipe nos mesmos períodos.
As entidades empresariais avaliam ainda a necessidade de negociar acordos e convenções coletivas com os sindicatos para adequar as escalas às particularidades de cada atividade econômica.
INDÚSTRIA PREVÊ MUDANÇAS NA PRODUÇÃO
No setor industrial, a redução da jornada poderá exigir mudanças no planejamento da produção, na distribuição dos turnos e no dimensionamento das equipes. Entre as alternativas discutidas estão o uso de bancos de horas, a modernização de processos e o investimento em automação.
Representantes do setor também defendem medidas que facilitem a adaptação das empresas, principalmente daquelas que operam continuamente ou enfrentam dificuldades para contratar trabalhadores qualificados.
No comércio e no turismo, uma das preocupações é manter lojas, hotéis e outros estabelecimentos em funcionamento durante toda a semana. Entre os riscos apontados pelas entidades estão o aumento dos custos operacionais, a necessidade de novas contratações e possíveis alterações nos horários de atendimento.
MUDANÇA PREVÊ TRANSIÇÃO GRADUAL
O texto aprovado estabelece uma implementação em duas etapas. A primeira prevê a adoção da escala 5x2, com cinco dias de trabalho e dois de descanso, além da redução da jornada semanal de 44 para 42 horas, após 60 dias da promulgação.
Na segunda etapa, prevista para 12 meses depois do início daprimeira, o limite semanal será reduzido para 40 horas, mantendo dois dias de descanso por semana.
A proposta também prevê a preservação dos salários e admite mecanismos específicos de compensação por meio de acordos ou convenções coletivas, conforme as condições estabelecidas no texto.
NEGOCIAÇÕES DEVEM DEFINIR OS PRÓXIMOS PASSOS
Com a mudança aprovada pelo Senado, representantes de empresas e entidades setoriais buscam discutir alternativas para reduzir os impactos financeiros e garantir segurança jurídica durante a adaptação.
O debate envolve a organização das escalas, a revisão de acordos coletivos, a necessidade de contratação de profissionais e a manutenção de serviços essenciais.
Curtiu? Siga o PORTAL DO ZACARIAS no Facebook, Twitter e no Instagram.
A implementação das novas regras deverá exigir planejamento de empresas de diferentes portes. O desafio será conciliar a redução da jornada e a ampliação do descanso dos trabalhadores com a continuidade das atividades econômicas.