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Fiocruz inicia estudo com injeção semestral contra HIV em sete cidades do país
Foto: Reproduçao

Estudo da Fiocruz testa injeção semestral contra HIV, mas preço e ausência de genéricos no Brasil podem dificultar acesso pelo SUS.

A Fiocruz (Fundação Oswaldo Cruz) dará início ao estudo ImPrEP LEN Brasil, que avalia a aplicação do lenacapavir, injeção semestral de prevenção ao HIV, em unidades de saúde de sete cidades: São Paulo, Rio de Janeiro, Salvador, Florianópolis, Manaus, Campinas (SP) e Nova Iguaçu (RJ).

 

O projeto é voltado para grupos considerados mais vulneráveis à infecção: homens gays e bissexuais, pessoas não binárias identificadas como do sexo masculino ao nascer e pessoas transgênero, com idade entre 16 e 30 anos. A participação será espontânea: quem buscar a PrEP (Profilaxia Pré-Exposição) poderá optar entre a injeção de lenacapavir ou o regime diário já usado no Brasil desde 2018, que combina os antirretrovirais tenofovir e entricitabina.

 

“Vamos avaliar o interesse pelo medicamento e a logística de aplicação da injeção”, afirma Beatriz Grinsztejn, pesquisadora principal do estudo e presidente da International AIDS Society.

 

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O fornecimento das doses será feito pela fabricante Gilead Sciences, e o início do estudo depende apenas da chegada de agulhas específicas ao país. O projeto é financiado pela Unitaid, iniciativa global que apoia inovações em prevenção, diagnóstico e tratamento de doenças em países de baixa e média renda.

 

O objetivo é subsidiar o Ministério da Saúde na análise de implementação do lenacapavir no SUS (Sistema Único de Saúde). O medicamento recebeu registro da Anvisa, mas ainda aguarda a definição do preço máximo pela CMED e avaliação da Conitec para eventual distribuição gratuita.

 

O custo do tratamento é apontado como principal obstáculo: nos Estados Unidos, a terapia custa entre US$ 25,3 mil e US$ 44,8 mil por pessoa ao ano (cerca de R$ 136 mil a R$ 241 mil). Apesar de fórmulas genéricas custarem entre US$ 25 e US$ 47 anuais, o Brasil não fará parte do acordo de licenciamento da Gilead, que contempla 120 países de baixa e média renda.

 

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“É um absurdo e uma tristeza. Um país desse tamanho não poderia ficar de fora da lista de genéricos. Isso pode impactar a viabilidade de distribuição no SUS”, alerta Grinsztejn. A farmacêutica afirma, no entanto, que seguirá colaborando com autoridades brasileiras para garantir acesso ao medicamento dentro das normas vigentes. 

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