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Fitoterápicos contra ansiedade exigem atenção mesmo sendo feitos de plantas
Foto: Divulgação

Produtos à base de plantas podem ajudar em sintomas leves, mas também apresentam contraindicações, efeitos adversos e risco de interação com outros medicamentos

A busca por alternativas para aliviar sintomas de ansiedade tem levado muitas pessoas aos fitoterápicos, medicamentos produzidos a partir de plantas medicinais ou de seus derivados. Apesar da origem natural, especialistas alertam que esses produtos não são isentos de riscos e devem ser utilizados com orientação adequada.

 

Segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS), os transtornos de ansiedade atingem cerca de 4,4% da população mundial. No Brasil, dados do Covitel, levantamento sobre fatores de risco para doenças crônicas não transmissíveis, apontam que 26,8% dos entrevistados afirmaram ter recebido diagnóstico médico de ansiedade.

 

Os fitoterápicos podem ser encontrados facilmente em farmácias, mas não devem ser confundidos com chás ou preparações caseiras. Esses medicamentos passam por critérios específicos de qualidade e controle estabelecidos pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa), incluindo definição de dosagem e avaliação de segurança.

 

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“O fitoterápico registrado passa por controle de qualidade, tem dosagem definida e segurança testada. São produtos diferentes, mesmo usando a mesma planta como base”, explica Jhonata Vasconcelos, supervisor farmacêutico da rede Santo Remédio.

 

Entre as plantas utilizadas em formulações voltadas a sintomas leves de ansiedade, tensão e dificuldades para dormir estão a passiflora e a valeriana. A passiflora, também conhecida como maracujá, pode ser utilizada para auxiliar no alívio de sintomas leves de ansiedade e agitação, além de contribuir para o sono em algumas formulações.

 

A valeriana também é tradicionalmente empregada para reduzir a tensão nervosa e auxiliar em problemas leves relacionados ao sono. No entanto, o efeito pode variar conforme a composição do produto e as características de cada pessoa.

 

Outro fitoterápico que exige atenção especial é a erva-de-são-joão, conhecida cientificamente como Hypericum perforatum. Diferentemente da passiflora e da valeriana, seu uso está mais relacionado ao tratamento de quadros depressivos leves a moderados.

 

A planta também pode interagir com diversos medicamentos de uso contínuo. Entre eles estão alguns antidepressivos e anticoagulantes. A erva-de-são-joão ainda pode reduzir a eficácia de anticoncepcionais e aumentar a sensibilidade da pele à exposição solar.

 

“A erva-de-são-joão exige mais atenção porque pode interagir com vários medicamentos de uso contínuo, como anticoagulantes e antidepressivos. Já a passiflora e a valeriana, embora sejam utilizadas para aliviar sintomas leves, também exigem cuidados e não substituem a avaliação médica”, afirma Vasconcelos.

 

Os fitoterápicos podem ser indicados, dependendo do produto e da situação clínica, para sintomas leves como ansiedade, irritabilidade, tensão e dificuldades para dormir. Eles, porém, não devem ser considerados substitutos do acompanhamento profissional quando os sintomas são persistentes ou intensos.

 

Quadros como transtorno de ansiedade generalizada, síndrome do pânico e fobia social precisam de avaliação adequada. O tratamento pode envolver psicoterapia, medicamentos ou a combinação de diferentes estratégias, de acordo com a necessidade de cada paciente.

 

Um dos principais riscos está na automedicação. A utilização sem orientação pode levar ao consumo de doses inadequadas, à combinação de produtos que não deveriam ser utilizados juntos ou à demora na identificação de efeitos adversos.

 

Dependendo da substância utilizada e das características do paciente, podem ocorrer reações como sonolência, desconfortos gastrointestinais e outras alterações. Por isso, pessoas que já fazem uso de medicamentos devem informar ao médico ou farmacêutico todos os produtos utilizados antes de iniciar um fitoterápico.

 

“O fato de ser natural não significa ausência de risco. Antes de começar qualquer fitoterápico, o ideal é passar por avaliação com farmacêutico ou médico, principalmente para quem já usa outros medicamentos”, reforça o profissional.

 

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Quando a ansiedade passa a ser frequente ou intensa e começa a prejudicar o sono, o trabalho, os relacionamentos ou outras atividades do cotidiano, a orientação é buscar avaliação profissional. O acompanhamento permite identificar a causa dos sintomas e definir o tratamento mais adequado, seja ele com fitoterápicos, medicamentos convencionais, psicoterapia ou outras abordagens. 

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