Senador afirma que ministro cria problema master com os EUA após proibir encontro entre assessor do Departamento de Estado e o ex-presidente preso; decisão foi tomada após manifestação do Itamaraty
O senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) criticou nas redes sociais a decisão do ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), que negou a visita do assessor do Departamento de Estado dos Estados Unidos Darren Beattie ao ex-presidente Jair Bolsonaro, atualmente preso na unidade conhecida como Papudinha, em Brasília.
Em publicação na rede social X, o senador acusou Moraes de criar tensão diplomática com os Estados Unidos.
“Alexandre de Moraes, mais uma vez, arrumando confusão com os EUA por nada! Depois taxam o Brasil e vão querer colocar na nossa conta. Moraes é tóxico, afundou a imagem do Judiciário e agora está criando um problema master para o Brasil. Qual é o problema de o sujeito visitar meu pai? A não ser que haja algo a esconder…”, escreveu o parlamentar.
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A manifestação ocorreu após Moraes reconsiderar uma decisão anterior e rejeitar a visita do assessor americano. O ministro citou informações do Ministério das Relações Exteriores, segundo as quais o visto concedido a Beattie não incluía qualquer solicitação de encontro com Bolsonaro.
De acordo com ofício enviado ao STF pelo chanceler Mauro Vieira, o visto concedido ao assessor previa apenas sua participação no Fórum Brasil?EUA de Minerais Críticos, evento programado para ocorrer em São Paulo.
Segundo Moraes, a visita ao ex-presidente não fazia parte do contexto diplomático que autorizou a entrada de Beattie no país e também não foi comunicada previamente às autoridades brasileiras.
“Ressalte-se que, somente após a solicitação de informações ao Ministro das Relações Exteriores, a Embaixada dos Estados Unidos da América solicitou a realização de novos compromissos diplomáticos pelo Darren Beattie em Brasília, que seriam realizados, se eventualmente confirmados, no dia 17 de março”, afirmou o ministro.
No documento enviado ao STF, Mauro Vieira também alertou que a visita poderia ser interpretada como ingerência indevida em ano eleitoral.
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Diante disso, Moraes afirmou na decisão: “Diante do exposto, nos termos do artigo 4º, IV da Constituição Federal e dos artigos 21 e 341 do Regimento Interno do STF, reconsidero a decisão anterior e indefiro a visita requerida pela defesa de Jair Messias Bolsonaro”.