Flávio Bolsonaro evita comentar pagamento de R$ 427 milhões de Vorcaro à Turma do KN, mas mantém ofensiva contra Moraes
O candidato à Presidência Flávio Bolsonaro (PL) manteve, durante agenda em Natal (RN), uma estratégia de campanha centrada em críticas ao ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), e na tentativa de associá-lo ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT). Em discurso realizado na segunda-feira (21), Flávio voltou a defender o impeachment de Moraes e afirmou que, se eleito, pretende indicar cinco ministros para o Supremo.
A estratégia ocorre em meio à crise envolvendo o STF e às informações extraídas do celular de Daniel Vorcaro, ex-controlador do Banco Master. O material analisado pela Polícia Federal contém mensagens e contatos relacionados a pessoas próximas a ministros da Corte. Flávio tem usado o episódio para ampliar as críticas a Moraes e ao governo Lula, enquanto evita concentrar os mesmos ataques sobre outros ministros mencionados nas investigações.
A campanha do senador já vinha avaliando utilizar imagens que mostram Moraes e a advogada Viviane Barci de Moraes desembarcando, em agosto de 2025, de um avião ligado a Vorcaro. A equipe de Flávio considera explorar o episódio no horário eleitoral para reforçar a associação política entre o ministro e o governo Lula. Moraes e sua esposa apresentaram explicações sobre os deslocamentos, e as informações ainda fazem parte de um contexto de investigação.
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A ofensiva também foi registrada em outros atos de campanha. Em Recife, na semana passada, Flávio afirmou que Lula teria uma relação de dívida política com Moraes. A declaração ocorreu após uma sessão do STF que terminou sem decisão sobre a abertura de investigação envolvendo o ministro. Na ocasião, o julgamento foi interrompido após pedido de vista do ministro Flávio Dino, e não houve análise definitiva do mérito das acusações.
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Enquanto Flávio mantém Moraes como um dos principais alvos de seu discurso eleitoral, o presidente Lula afirmou anteriormente que não foi responsável pela indicação do ministro ao STF. Moraes foi indicado em 2017 pelo então presidente Michel Temer, e Lula também declarou que quem cometer delito deve ser responsabilizado. As declarações de Flávio sobre Moraes e Lula fazem parte da estratégia política de sua campanha e não representam conclusões judiciais sobre eventual irregularidade.